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A reinvenção
do trote
Trote é o nome que se dá
à comemoração de quem passa no vestibular.
Até poucos anos atrás, ele era de uma mesmice
de dar dó. Resumia-se a cabelos raspados e rostos pintados,
muitas vezes à força. Hoje excessos que podiam
acabar mal são coisa do passado.
Já não se faz mais trote como antigamente.
A fama de violento ficou para trás. Aquela desculpa
de que o trote é um "rito de passagem" ou
"que todo mundo já passou por isso" não
cola mais na hora de justificar os exageros.
O lema é pôr criatividade, senso crítico
e solidariedade onde antes havia violência gratuita
e brincadeira de mau gosto. Os veteranos que já deixaram
de lado a tradição de constranger e embaraçar
os calouros - ou "bixos" - estão descobrindo
o prazer de abraçar uma causa social.
Todos saem ganhando. Em vez de intimidação,
há uma real confraternização entre calouros
e veteranos. Sem falar na chance de pôr em prática
o que se aprende na faculdade. Os alunos de administração
organizam propostas de patrocínio para os projetos,
os de medicina organizam doações de sangue e
os de publicidade fazem campanhas educativas. (Veja
cartaz feito pelos alunos de Publicidade da USP.)
Essas iniciativas pipocam em todo o país e são
tão variadas quanto os sotaques. Há o trote
cidadão, o trote social, o trote cultural, o trote
ecológico e o trote solidário. Uma pesquisa
da empresa júnior da PUC/SP - PUC Júnior - revela
que 54% das faculdades brasileiras já adotaram ações
sociais na recepção de seus calouros. Somente
4% dos trotes registraram alguma violência.
Assim, os calouros mais acanhados, que na primeira semana
de aula queriam distância da faculdade na qual lutaram
tanto para entrar, agora são recebidos com tapete vermelho
na maioria das faculdades brasileiras.
Leia a seguir:
Entrevista
com Mira Vieira, co-autora da pesquisa da PUC Júnior
e de dois manuais que orientam os estudantes sobre como fazer
um trote solidário.
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