Sonho de Dadá Maravilha quase tira Pelé da final
Dadá Maravilha passou toda a Copa de 70 na reserva. Como último
recurso para entrar em campo, ele arriscou um artifício à altura
de sua irreverência. Na véspera da grande final, contou ao treinador
Zagallo que sonhara ter feito três gols contra a Itália. Para
descontrair o clima tenso da concentração, Zagallo brincou com os
titulares:
- Olha, gente, o Dadá sonhou que vai fazer três gols na final.
Não tem ninguém que queira dar o lugar para ele?
Quem levantou o braço foi justo o camisa 10 da seleção, Pelé.
- Por mim tudo bem, se a gente já começa a final ganhando de
3 x 0...
E todos caíram na gargalhada.
O palpite de Médici e o juiz mais vaiado da história
Horas antes do pontapé inicial, o general Médici foi indagado
sobre qual seria seu prognóstico para a partida. Ele disse sem
titubear: "Quatro a um para o Brasil." O destino iria confirmar
seu palpite. O gol de honra da Itália foi marcado por Bonisegna,
aos 37 minutos do primeiro tempo, por causa de um descuido de
Clodoaldo. O volante brasileiro não poderia ter encontrado desculpa
melhor para justificar sua falha: "Se eu não tivesse feito aquilo,
o Médici não teria acertado o placar." Outro que deu uma “mãozinha”
a Médici foi o árbitro Rudy Glockner, da Alemanha Oriental. No
último minuto do primeiro tempo, Pelé recebeu um cruzamento da
esquerda, matou no peito e estufou a rede. O gol foi anulado pelo
senhor Glockner, que apitara o final da primeira etapa com a bola no
ar. E entrou para a história como um dos juízes mais vaiados de
todos os tempos.
Levem as roupas, deixem o bigode
Logo após o apito final, o campo foi completamente tomado por
torcedores. Disputava-se a tapas qualquer souvenir do jogo. As
principais vítimas eram os jogadores brasileiros, que tinham seus
uniformes rasgados pela insandecida torcida mexicana. Pelé foi
carregado só de cuecas ao vestiário, antes de subir na tribuna
de honra para receber a Taça Jules Rimet. Os jogadores brasileiros
também entraram na arruaça. Eles queriam raspar a todo custo a
marca registrada de Rivellino, o vasto bigode. O jogador só escapou
do trote porque estava de casamento marcado.
Uma TV para cada 100 habitantes, cinco locutores por jogo
Noventa milhões em ação
Pra frente Brasil, salve a Seleção
De repente é aquela corrente pra frente...
Esse é um trecho da música que anunciava aos brasileiros o início
das transmissões da Copa do Mundo de 1970, a primeira a ser
transmitida ao vivo para todo o país. Na época, havia 816 mil
aparelhos de televisão, o que significava uma média inferior a
um aparelho para cada cem habitantes. Na estação da Embratel, em
Itaboraí (RJ), as imagens chegavam em cores. Mas poucos brasileiros
tiveram o luxo de ver o verde-amarelo de sua seleção. A televisão
brasileira ainda engatinhava e para assegurar as transmissões foi
preciso um consórcio de cinco emissoras. Os narradores eram obrigados
a se revezar durante a locução. Cada um só podia falar menos de 20 minutos
ao microfone.
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