Por Bohdan Metchko Júnior, Diogo Dreyer e Sandro Luis Ferreira
Um dos maiores cientistas da história da humanidade está tendo
seu trabalho posto à prova. Em abril de 2004, a Agência Espacial
Norte-Americana — Nasa — lançou uma sonda ao espaço
com a missão de comprovar a Teoria Geral da Relatividade, de Albert Einstein.
O satélite Gravity Probe-B (GP-B), que custou US$ 700 milhões
(cerca de R$ 1,89 bilhão), permanecerá no espaço durante
16 meses. Sua sonda está equipada com quatro giroscópios sofisticados,
que compõem um sistema de referência espaço-temporal quase
perfeito. A teoria de Einstein será realmente comprovada caso esses giroscópios
sofram uma mudança no alinhamento de seus eixos.
Einstein sempre influenciou o pensamento sobre espaço, tempo e Universo,
mas algumas de suas idéias mais básicas ainda não foram
testadas e destoam do restante da Física moderna. A Teoria da Relatividade,
elaborada pelo cientista em 1916, afirma que o tempo e o espaço se deformam
com a presença de corpos maciços. A Nasa já planejava comprovar
essa tese lançando um satélite ao espaço em 1959, mas o
projeto não foi adiante por causa de problemas financeiros e tecnológicos.
Mas por que depois de quase nove décadas ainda é preciso testar
a Teoria da Relatividade Geral de Einstein? A resposta é que, apesar
de estar entre as mais brilhantes criações da mente humana, unindo
espaço, tempo e gravitação e esclarecendo fenômenos
como os buracos negros e a expansão do Universo, ela continua sendo uma
das menos testadas teorias científicas. É difícil conciliá-la
com os demais ramos da Física, e até sua própria estrutura
contém falhas. Einstein também não se satisfazia com sua
teoria e levou muitos anos tentando aplicá-la e uni-la à Física
Quântica. Os físicos modernos, procurando fazer essa união,
encontraram perplexidades maiores. Além de tudo isso, pontos essenciais
da Teoria da Relatividade Geral nunca foram testados experimentalmente.
A Nasa só deverá publicar as conclusões do projeto GP-B
em 2006, exatamente quando a Teoria Geral da Relatividade completará
90 anos.
Primeiras evidências
Em outubro do ano passado, uma equipe do Centro Conjunto para a Tecnologia do
Sistema Solar da Nasa se adiantou ao trabalho da GP-B e obteve evidências
de que a Terra arrasta tempo e espaço ao seu redor enquanto gira. Os
pesquisadores conseguiram medir o efeito, formulado pela primeira vez em 1918,
com a Teoria da Relatividade de Albert Einstein, observando os deslocamentos
das órbitas de dois satélites que seguem a rotação
da Terra. Segundo essa agência espacial, a descoberta constitui a primeira
medição de um efeito em que uma massa em rotação
arrasta o espaço a seu redor. E os dados que a GP-B vai obter serão
imprescindíveis para realmente comprovar a teoria do cientista.