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Mortalidade
Para preservar a vida, não basta atingir grandes avanços
tecnológicos na Medicina. Prova disso, pelo menos no Brasil, são
os altos índices de mortalidade infantil. Em algumas regiões do
nosso país, não é raro crianças morrerem de doenças
simples, como diarréia! Não há mais desculpa para que isso
aconteça: há conhecimento, tratamentos de última geração
e bons profissionais. Mas, como veremos a seguir, faltam investimentos e iniciativa
para mudar esse triste quadro.
Índices que medem
a mortalidade entre crianças (para grupos de mil indivíduos):
— mortalidade infantil: indica quantas crianças morreram
antes de completar um ano (no Brasil, esse índice caiu de 39,5
mil, em 1994, para 26,6 mil, em 2004);
— mortalidade na infância: indica quantas crianças
morreram antes de completar cinco anos (caiu de 53,7 mil em 1990 para
33,7 em 2002).
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Apesar da redução demonstrada pelo IBGE, as taxas atuais são
consideradas médias pela Organização Mundial de Saúde.
Nosso índice de mortalidade infantil, por exemplo, é o terceiro
maior da América do Sul, atrás apenas da Bolívia e
da Guiana.
O documento Um mundo para as crianças, editado pela ONU
em 2002, marcou o ano de 2015 como prazo para o Brasil atingir a meta de
17,9 mil na infância e 16 mil infantil. Especialistas acreditam que,
se a tendência de queda se mantiver, é possível que
esse alvo seja atingido, mas é preciso cobrar e vigiar os governos
no sentido de que tomem medidas para cumpri-lo. Vale lembrar que metas desse
tipo representam as condições mínimas, e não
ideais. É preciso ir além, ultrapassá-las.
Vários
países em um só
Como você sabe, o Brasil é muito grande,
muito extenso. É o quinto maior país do mundo, com mais
de oito milhões de quilômetros quadrados. Todo esse território
esconde realidades muito diferentes e obstáculos para o combate
à mortalidade de crianças. O relatório da UNICEF
mostra que o saneamento e as melhorias em sistemas de saúde não
vêm sendo aplicados da mesma forma em todo o País.
É como se houvesse pelo menos dois países bem diferentes
em um só. Do Sudeste para baixo, os números são
próximos dos países desenvolvidos. No Nordeste e no Norte,
principalmente na região semi-árida, a situação
é comparável à de algumas partes mais pobres da
África. Algumas vezes, em uma mesma região, a condição
é muito diferente entre quem tem mais ou menos dinheiro, ou entre
quem é branco, negro e índio.
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A sobrevivência de uma criança depende de vários fatores,
como saneamento, alimentação e até mesmo educação.
Mas, pelo menos no Brasil, a alta taxa de mortalidade antes do primeiro mês
de vida revela que é preciso dar mais atenção aos cuidados
com a gestação, o parto e o período neonatal. Na última
década, nossos governos focaram-se no combate à fome e a doenças
infecciosas, parasitárias e respiratórias, responsáveis
pela morte de crianças com mais de um mês de vida. Caiu, portanto,
a taxa de óbitos após essa fase, mas continuou alta a de vidas
perdidas com até um mês de vida. Hoje, em quase todo o País,
as mortes nessa fase (por causas que vão da prematuridade à asfixia
durante o parto) representam mais da metade das taxas de mortalidade infantil.
De 1995 para cá, aumentou muito o número
de mães que fizeram pelo menos uma consulta ao médico durante
a gestação, mas isso não representa uma melhora significativa.
Não basta uma nem duas consultas. Para se ter um bom acompanhamento,
o Ministério da Saúde recomenda pelo menos seis. E a porcentagem
de mulheres que segue essa recomendação continua praticamente
a mesma nos últimos dez anos: menos da metade. Uma gestação
malcuidada representa perigos não apenas para o recém-nascido,
mas também para a mãe. Tanto é verdade que o número
de mães que morrem durante o parto ou em conseqüência dele,
até 42 dias depois, é de 74,8 para cada 100 mil partos. O máximo
aceitável pela OMS é de 20/100mil.
Outra questão que preocupa na
realidade brasileira é o aleitamento materno. O certo é
que todo bebê se alimente exclusivamente do leite da mãe
até os seis meses. Mas, de acordo com o Ministério da
Saúde, isso acontece com menos de 10% das crianças brasileiras.
Campanhas de conscientização vêm sendo feitas há
mais de 20 anos, mas isso não basta. É preciso que se
garantam os direitos da gestante, como:
— licença maternidade de 120 dias (que permite que a mãe
esteja sempre perto da criança nos primeiros quatro meses de
vida);
— adaptação da jornada de trabalho nos meses seguintes,
com duas pausas de meia hora para que a mãe possa amamentar;
— disponibilização de um espaço adequado
para a criança permanecer próxima ao local de trabalho
da mãe.
Infelizmente, sabe-se que muitas mães trabalhadoras (principalmente
as que estão no mercado informal) não exercem nem o direito
básico à licença maternidade.
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