Desnutrição

A desnutrição é uma das maiores causas de mortalidade infantil no Brasil. Diretamente ligada à desigualdade social, ela aumenta o risco de doenças e pode afetar de forma irreversível o desenvolvimento. Além disso, uma criança desnutrida tem muito mais chances de se tornar um adulto suscetível a problemas graves de saúde.

A Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde (PNDS), realizada pelo Ministério da Saúde a cada dez anos, mostra que desde os anos 70 existe uma tendência de queda nos índices de desnutrição em crianças menores de cinco anos. A última medição indicava que o problema era mais grave no Nordeste e no Norte. Na região do semi-árido, por exemplo, há praticamente quatro vezes mais crianças desnutridas que no sul do Brasil. O campo também tem mais crianças desnutridas (9,2%) que as cidades (4,6%).

Além dos dados citados acima, há outros igualmente importantes para o diagnóstico da desnutrição. Indicadores envolvendo peso, altura e idade ajudam a apontar os níveis de proteínas e calorias existentes no corpo. Mas há outras formas de desnutrição, como a falta de ferro (que pode comprometer o desenvolvimento intelectual e psicomotor), de vitamina A (que afeta o sistema imunológico e a visão, podendo até cegar), de iodo (a falta atrasa o crescimento e pode causar cretinismo) e de zinco (elemento que combate diarréia e pneumonia).

Não há estatísticas específicas relacionadas a esses elementos. Mas sabe-se que o mais preocupante é o ferro. Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo feita entre 1996 e 1999 analisou a situação de oito mil crianças com menos de três anos em creches públicas de várias capitais: metade delas estava anêmica. No Recife, mais de 80% apresentavam falta de ferro.

Desde junho de 2004, o governo federal determinou que todas as farinhas de trigo e milho devem receber adição de ferro e ácido fólico. Há também programas de inclusão de outros micronutrientes na dieta das crianças brasileiras. O iodo, por exemplo, é acrescentado ao sal de cozinha desde 1950 em algumas áreas onde há maiores índices de desnutrição, e desde 1995 em todo o País. Uma pesquisa feita em 2000 com o apoio da UNICEF provou que tal medida tem apresentado bons resultados. Ela identificou, por exemplo, que nas áreas de risco, pouco mais de 1% das crianças entre 6 e 12 anos tinham bócio (para quem não sabe, bócio é uma espécie de inchaço que se forma no pescoço de pessoas que têm carência de iodo). Por outro lado, a pesquisa também mostrou que ainda havia sal para consumo humano sem a quantidade suficiente de iodo em alguns locais.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, há mais de 11 milhões de famílias brasileiras vivendo abaixo da linha da pobreza. Em português claro, essas famílias não têm dinheiro nem para comprar comida.


Muitas organizações não-governamentais têm combatido a desnutrição de um jeito diferente: implantando a suplementação alimentar. A iniciativa mais conhecida é a da Pastoral da Criança, que criou uma espécie de farofa chamada de “multimistura” (feita com ingredientes simples e baratos) para ser ingerida juntamente com outros alimentos. Hoje, a Pastoral não usa mais a mistura em larga escala, está substituindo-a por frutas e outros alimentos naturais de alto valor nutritivo e baixo custo.

Outro fator importante para manter uma criança bem nutrida é o aleitamento materno. Sabe-se que toda criança precisa se alimentar só com o leite materno até os seis meses de idade. Infelizmente, de acordo com o Ministério da Saúde, isso acontece com menos de 10% das crianças brasileiras.

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