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AIDS
Vinte e cinco anos atrás, de todas
as crianças com até cinco anos que tinham o HIV (o vírus
da AIDS) 70% tinham sido infectadas em transfusões de sangue. Hoje, menos
de 1% foi contaminada por esse meio. Mas isso não quer dizer que o número
de crianças portadoras do HIV diminuiu. Outra forma de infecção
cresceu muito de lá para cá: os casos de transmissão de
mãe para filho, durante a gestação ou no momento do parto.
Em 2004, mais de 200 mil mulheres de 15 a 49 anos tinham o HIV, e o mais assustador
é que muitas não sabiam disso.
Hoje, sabe-se que é possível evitar o contágio da criança
se a mãe descobrir que tem o vírus no início do período
pré-natal. Nesse caso, ela inicia um tratamento que envolve o uso de
remédios como o AZT (para a mãe e o bebê), cuidados especiais
durante o parto, e a não-amamentação. Isso reduz de 25%
para 1% as chances de contaminação do bebê.
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1997, os municípios são obrigados a oferecer o teste de
HIV para todas as gestantes durante o pré-natal, bem como tratamento
para as mães soropositivas e seus bebês. Além disso,
desde 2002, o Projeto Nascer-Maternidades, do Ministério da Saúde,
possibilita que as mães façam o teste rápido pouco
antes do parto, para os médicos saberem se precisam ou não
tomar cuidados especiais para evitar a infecção durante
a operação. Graças a isso, apesar do aumento do número
de mulheres jovens com o HIV, está diminuindo o de crianças
que nascem com o vírus. Em 2000 foram notificados 214 casos. Em
2003, 86 casos. É possível, portanto, que o governo brasileiro
cumpra a meta de reduzir a transmissão intra-uterina no parto e
elimine o contágio pela amamentação. |
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Hoje, atende-se pouco mais da metade das mães
soropositivas do país com esse tratamento (o que já é
muito, se compararmos com a situação de dez anos atrás).
A meta é atender todas as mães até o final de 2007.
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As notícias são muito boas, mas não para todos. Das mães
brasileiras, 63% fizeram o teste durante a gestação e viram o
resultado antes de dar à luz. Mas no Norte e no Nordeste, isso aconteceu
com menos da metade das gestantes. O resultado é uma diferença
muito grande na taxa de contaminação de recém-nascidos
entre as regiões brasileiras. No Sul e no Centro-Oeste, por exemplo,
é de 6%. No Norte, é de 15%, ou seja, mais que o dobro!
É comum também as mães se recusarem a fazer o teste, com
medo do resultado. E isso é ainda mais freqüente entre as menos
instruídas. Outra coisa que acontece bastante, também por medo,
é a mãe fazer o teste e “fugir” do resultado, não
comparecendo à consulta seguinte. Nos Estados Unidos e em alguns países
da Europa, isso dificilmente acontece, porque nesses lugares existe um sistema
de “busca ativa”, no qual os profissionais de saúde procuram
a mãe para lhe informar o resultado e iniciar o tratamento.
Mulheres negras recebem
menos acompanhamento que as brancas e têm menos acesso a preservativos.
Sendo assim, cresceram os casos de transmissão vertical entre
negros, enquanto estacionaram entre não-negros. Ainda não
há dados que expliquem por que isso acontece. Investigar as causas
é um dos objetivos do Programa Estratégico de Ações
Afirmativas: População Negra e Aids, do Ministério
da Saúde.
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No Brasil, a maioria das mortes causadas pelo HIV ocorre entre os 25 e 49 anos,
idade em que normalmente os adultos já tiveram ou pretendem ter filhos.
Isso significa que a AIDS está deixando muitos órfãos.
Uma pesquisa feita em Porto Alegre mostrou que 66% das crianças que perderam
seus pais para o HIV tinham até nove anos de idade quando isso aconteceu.
Desse modo, desaparecem as figuras materna e paterna, importantes para o bom
desenvolvimento da criança, e aumenta consideravelmente a pobreza da
família. As crianças ficam mais expostas à queda no desempenho
escolar, evasão e violência física e psicológica,
sem falar nas complicações sociais causadas pelo estigma de ter
perdido os pais para a AIDS (e, em muitos casos, de também ser portador
da doença). A UNICEF estima que haja mais de 120 mil crianças
nessa situação.
Ainda não existe uma definição clara quanto ao que deve
acontecer com a criança que perde os pais e não fica com a família.
Normalmente, há duas possibilidades: ela é levada para abrigos
(administrados pelo Estado) ou vai para casas de apoio mantidas pela sociedade
civil. A maioria dessas instituições foi criada no início
da epidemia de AIDS, à medida que a sociedade começou a acordar
para o problema. Atualmente, existem 140 no Brasil, oferecendo atendimento de
saúde, com quase dois mil leitos. O Estado tem fornecido apoio a muitas
delas: em 2005, foi aprovada a distribuição de um milhão
de reais entre 28 projetos.
Antigamente, receber
o resultado positivo em um teste de HIV era o mesmo que ser condenado
à morte. A AIDS continua sendo uma doença incurável
e mortal, mas, com os atuais avanços no tratamento, a perspectiva
de vida dos pacientes é muito maior. A campanha brasileira do
Dia Mundial de Luta Contra a AIDS, promovida pelo governo federal no
fim de 2006, mostrou como principais personagens uma mulher de 60 anos
(portadora há 9) e um homem de 34 (portador há 17). Graças
a isso, e também aos princípios do Estatuto da Criança
e do Adolescente, o papel dos abrigos e casas de apoio deve ser o de,
sempre que possível, fortalecer os laços com a família,
mesmo quando os pais já não estão mais vivos.
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