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O Brasil possui umas das maiores diversidades musicais do mundo e é
o terceiro maior produtor de música do planeta, atrás apenas dos
EUA e do Reino Unido. Mas, apesar do inquestionável valor pedagógico
e da inventividade que essa riqueza da MPB pode proporcionar a qualquer professor,
recentemente, foi criada uma polêmica em torno da sua utilização
nas escolas: a Comissão de Educação, Cultura e Desporto
da Câmara dos Deputados aprovou, no último dia 7 de agosto, um
projeto que determina a inclusão obrigatória da disciplina "Música
Popular Brasileira" no currículo escolar da Educação
Básica. A modificação será feita de acordo com as
Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental e Médio do
Conselho Nacional de Educação.
O projeto de lei 5674/01 é de autoria do deputado Wilson Santos (PSDB-MT).
Para o parlamentar, o ensino de arte tem sido relegado a segundo plano. "Isso
se constata pelo número reduzido de aulas semanais dedicadas ao estudo
da arte e, muitas vezes, pela falta de profissionais habilitados e qualificados
para o exercício do magistério nessa área de ensino",
disse Santos.
Para o deputado, o ensino de música brasileira nas escolas estimulará
o processo educativo e valorizará a MPB. A proposta será encaminhada
à apreciação da Comissão de Constituição
e Justiça e de Redação.
Mas, e na prática?
Há um descompasso quando se fala na utilização da MPB
no currículo escolar. Nem o próprio autor do projeto sabe bem
como essa nova matéria - que, pela proposta, vai se chamar MPB - seria
ministrada nas escolas.
Para o músico Paulo Tatit, que faz parte do grupo Palavra Cantada (ver
box) e que trabalha com o ensino de música nas escolas há anos,
é possível separar a MPB do ensino musical no Brasil por suas
particularidades. "A MPB é uma linguagem bem específica,
de características bem brasileiras. Em Viena (Áustria), concordo
que a canção popular possa ser uma subdisciplina da música,
mas, no Brasil, esses valores são claramente invertidos, e quem dita
isso é a história e o mercado".
O Educacional realizou uma enquete com seus usuários perguntando o seguinte:
"Você concorda com o projeto de lei que determina a inclusão
obrigatória da disciplina Música Popular Brasileira no currículo
escolar da Educação Básica?" Dos 1.376 votantes, 58%
se disseram a favor e 42%, contra.
Polêmicas à parte, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação
(LDB), que entrou em vigor em 1997, o MEC estabeleceu regras mínimas
para o currículo escolar brasileiro por meio das Diretrizes Curriculares
Nacionais. Portanto, se a regulamentação do projeto da MPB não
for clara, a lei, se aprovada, pode ser inócua, já que os estados,
municípios e até mesmo as escolas têm autonomia para configurar
os currículos da forma mais apropriada a cada realidade.
O projeto vai continuar seu trâmite pela Câmara Federal, passando
pela análise da Comissão de Constituição e Justiça
e de Redação e seguirá para votação em plenário.
Em seguida, será apreciado pelo Senado e pelo presidente, que poderá
sancioná-lo ou arquivá-lo.
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Palavra Cantada
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Os músicos Sandra Peres e Paulo Tatit: MPB
e educação desde 1994.
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O projeto Palavra Cantada, encabeçado pelos músicos Paulo
Tatit e Sandra Peres, existe desde 1994 e, desde aquele ano, faz o papel
de levar a MPB para dentro da sala de aula. Seu sucesso nessa tarefa é
tanto que o próprio MEC recomenda a utilização dos
cds produzidos por eles como material nas escolas.
O Palavra Cantada é, na verdade, um selo musical que, por meio
de parcerias, produz discos com músicas, folclore e até
histórias para serem utilizadas no meio escolar. Além disso,
os músicos ainda fazem apresentações nas escolas.
"A MPB é um bem muito respeitado, muito mais do que a Química,
Física e Matemática, matérias que todo mundo aprende
exaustivamente nas escolas", afirma Tatit.
Para o músico, o ensino da MPB nas escolas só será
interessante quando se formarem professores que estudem essa linguagem.
"Um bom maestro não serve de nada para ministrar essas aulas,
pois a linguagem da MPB mistura texto com melodia em primeiro lugar. Depois
vem a instrumentação, que pode ser mais ou menos sofisticada
e pode, eventualmente, necessitar até de um maestro, mas é
raro e nem sempre se ganha em estética com isso".
Tatit diz ainda que as canções do Palavra Cantada são
muito usadas nas escolas como ponto de partida para se estudar um tema
geral ou até mesmo que as crianças desenvolverão
durante um semestre. "Elas ouvem e analisam, por exemplo, a canção
Eu (de autoria dos músicos do Palavra Cantada). Estudam então
a questão da hereditariedade e do parentesco. Depois aprofundam
para os movimentos migratórios que constituem nosso povo, e assim
por diante", completa.
Conheça mais sobre o Palavra Cantada clicando
aqui.
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