Depois de causar uma revolução nos quadrinhos do mundo todo,
o mangá — a HQ japonesa— está atraindo inúmeros
leitores e influenciando toda a nova geração de desenhistas no
Brasil.
Personagens com olhos grandes, feições infantis, cabelos coloridos
e roteiros cheios de magia, aventuras e monstros. Assim é o mangá,
a tradicional história em quadrinhos japonesa que, recentemente, invadiu
o mercado brasileiro e está influenciando a nova geração
de desenhistas de HQ do país.
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| Selma Mitie Utrabo: "Os mangás
são impregnados de aspectos da cultura japonesa." |
“A riqueza de personagens do mangá inspira muita simpatia, e suas
histórias são impregnadas de aspectos da cultura japonesa, como
hábitos de alimentação e vestimenta. Os animes —
que são as versões do mangá para desenhos animados —
trazem também a trilha sonora oriental”, conta Selma Mitie Utrabo,
que há 14 anos é dona da Itiban Comic Shop, em Curitiba, especializada
em HQs e RPGs. Ela conta que alguns dos adolescentes são tão apaixonados
por esse tipo de desenho que estão aprendendo a língua japonesa
só para acompanhar as histórias de maneira melhor.
A popularização do mangá deve-se aos animes — principalmente
Cavaleiros do Zodíaco e Dragonball Z. Nos EUA, as técnicas
do mangá revolucionaram a indústria dos quadrinhos, que redesenhou,
valendo-se delas, super-heróis como X-Men e Homem-Aranha. “Além
disso, os roteiros dos mangás — produzidos e elaborados com base
no drama japonês — tiveram ótima aceitação
entre os ocidentais”, conta Selma.
No Brasil, o mangá deu origem a uma nova corrente nas HQs. “O
mangá já tinha invadido os EUA e a Europa antes de chegar ao Brasil,
e os animes contribuíram muito para isso. Agora, já vemos sua
influência nos traços, na estética e na forma narrativa
dos novos quadrinhos de ação”, diz a empresária.
O primeiro produto dessa corrente é o Mangá Tropical,
que traz seis histórias que, em vez do Japão, têm o Brasil
como cenário. O Mangá Tropical tem a participação
de onze autores, e uma nova edição deve ser lançada em
2004.
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| Capa da publicação "Mangá
Tropical". |
Entre as revelações do mangá brasileiro estão os
autores Erica Awano, Alexandre Nagado, Fábio Yabu, Daniel HDR e Marcelo
Cassaro, responsável pelos maiores sucessos nacionais, como Holy
Avenger e Victory — que vai ser lançado nos EUA.
Os mangás mais vendidos no Brasil são Dragonball Z,
Cavaleiros do Zodíaco, Samurai X, Yuyu Hakusho
e Love Hina.
No Japão, os mangás representam 40% de todas as publicações
feitas no país. O mercado editorial dessas HQs movimentou, em 2000, cerca
de US$ 2,5 bilhões. “A técnica do mangá é
uma verdadeira instituição no Japão, e se trata de um mercado
extremamente fechado para os novos talentos, até mesmo para os próprios
japoneses”, afirma Selma.
Serviço: Itiban Comic Shop. Av. Silva Jardim, 845, Curitiba
(PR), telefone: (41) 232 5367.