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Há meio século, uma das figuras mais influentes da história
brasileira dava fim à própria vida. Político brilhante,
ao cometer suicídio salvou seu prestígio político e transformou-se
em um mártir para o povo, consolidando sua maneira de governar. Fundamentador
das leis trabalhistas, foi também um ditador, por vezes fascista, e um
modernizador do país, visto pelo povo como um patriota. Acompanhe a trajetória
de Getúlio Vargas e descubra quem era o homem por trás do mito
e que a Era Vargas ainda não chegou ao fim.
Por Diogo Dreyer e Ederson Prestes
Colaboração de Guilherme Prendin
| Acervo Museu da República / Rio de Janeiro |
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| O Palácio do Catete, sede do governo federal,
é cercado pela população assim que a notícia
do suicídio é anunciada. |
Quando Fernando Collor de Melo foi eleito, bradou o fim da Era Vargas em seu discurso
de posse. Também foi assim com FHC. Era como se eles afirmassem que, em
seus mandatos, o país ia transformar-se e desatar-se da maneira de fazer
política que se iniciou no distante ano de 1930, quando a Revolução
deu o poder ao ditador Getúlio Vargas.
Seus adversários pensaram que, em 24 de agosto de 1954, quando o então
presidente Vargas cometeu suicídio no interior da residência oficial,
o Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, ele sairia de vez da vida política
do país. Mas o que ocorreu foi justamente o contrário: sua morte
enraizou profundamente as reformas que fez no país, permeou a classe
política com sua mentalidade antidemocrática e o transformou em
um herói popular.
O povo foi às ruas para chorar a morte do presidente. O governo Vargas
acabou, mas suas idéias, seu legado e sua era ainda estavam começando.
Após décadas, isso tudo ainda está presente nas discussões
da política brasileira.
“Collor foi quem primeiro anunciou o fim da Era Vargas, em 1990. Mas
creio que, três presidentes depois, grande parte dos legados institucional
e jurídico e, principalmente, o modelo econômico da Era Vargas
ainda estão de pé”, conta Maria Celina Soares D'Araújo,
coordenadora do Setor de Pesquisa do Centro de Pesquisa e Documentação
de História Contemporânea do Brasil (CPDOC), ligado à Fundação
Getúlio Vargas (FGV).
Doutora e professora de Ciência Política da Universidade Federal
Fluminense (UFF), a pesquisadora afirma que o Brasil não conseguiu produzir
um modelo alternativo ao implantado por Vargas nos seus anos à frente
do país. “Mesmo esgotado, o Brasil só conhece esse, que
foi até mesmo utilizado pelos militares”. A razão, ela diz,
é que a Era Vargas foi um período de transformação,
com muitas novidades institucionais e econômicas em um país que
até então era bastante atrasado, gerando a sobrevida desses conceitos.
“As legislações sindical e social ainda são do jeito
que eram na década de 1930”.
Vamos conhecer mais sobre a ERA VARGAS?
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