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Invenções Brasileiras
Até 2001, uma exposição vai percorrer museus de ciências de todo o país. A mostra
500 Anos da Inventiva no Brasil é uma ótima chance de conhecer o que saiu da cuca
dos mais geniais brasileiros. Dos índios aos cientistas de hoje, dá para repensar
nossa história sob a ótica de um dos motores do progresso de qualquer país: a ciência.
Em uma famosa crônica, publicada em A Semana, Machado de Assis chama a atenção, em
1897, para um fato verdadeiro até hoje. Lembramos das invenções, esquecemos de seus
inventores. O escritor admira-se que o Jornal do Commercio comemore um "dia histórico
da chapelaria humana", o centenário da cartola, sem sequer mencionar seu criador.
Surgido em Londres, em 15 de janeiro de 1797, o chapéu alto resistiu um século como
símbolo de elegância e refinamento.
"Direis que a concepção de um chapeleiro no ventre de sua mãe é, em absoluto, mais
interessante que a fabricação de um chapéo; mas, hypothese haverá em que a fabricação
de algum chapéo seja mais interessante que a concepção do chapeleiro. Este não passará
de uma geração apenas; aquele será novo e ficará para muitas gerações. Com efeito, lá
vae um século, e ainda não acabou o chapéo alto", escreve o mestre.
A exposição 500 Anos de Inventiva no Brasil corrige essa injustiça. Ela lembra dos
artefatos que facilitam - e às vezes salvam - nossas vidas, sem deixar cair no esquecimento
seus mentores. Desde a primeira patente, concedida por D. Pedro I em julho de 1822, as
invenções são registradas e passam a ter nome e sobrenome. A primeira patente brasileira
coube à máquina de descascar café. Inventada por Luiz Louvain e Simão Clothe, descascava os
grãos, sem quebrá-los, e era movida a tração animal ou a água.
A mostra também ressalta a importância das patentes para a proteção dos inventos e de
seus autores. Você sabia que brasileiros criaram protótipos do rádio e da máquina de
escrever antes dos que foram consagrados no mundo todo? A exposição também não se esquece
dos inventos de autores anônimos - as criações da cultura popular -, de negros e índios.
Ela reabilita a importância desses povos ao vê-los como inventores, em vez de taxar suas
criações como mero artesanato.
Enquanto a exposição segue adiante com algumas invenções recentes de nossos cientistas,
nossa reportagem termina com a invenção brasileira de todos os tempos: o avião. Trouxemos
o brasileiro voador em dois vídeos com imagens das aeronaves de Santos-Dumont, no início
do século.
A exposição 500 Anos de Inventiva no Brasil está aberta à visitação até 30 de novembro
na Estação Ciência da USP. De lá ela segue para a Casa de Ciência da UFRJ e assim
peregrinará até o final de 2001, contando a saga das invenções brasileiras até os dias de hoje.
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