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Ao contrário do que ocorreu em outras capitais, em São Paulo, Belo Horizonte
e Porto Alegre o trabalho infantil, surpreendentemente, aumentou desde 1982.
O economista Marcelo Cortes Neri afirma que o trabalho infantil sofreu nítida
diminuição nas metrópoles brasileiras. Sua mais recente pesquisa, publicada
pelo Centro de Pesquisas Sociais da FGV (Fundação Getúlio Vargas), concentra-se
no período entre 1982 e 1999. Ele constata que o índice de crianças entre 10 e
15 anos que trabalham caiu para 4,5% nas principais capitais do país. Há quase
20 anos, era de 13,24%.
Porém, as políticas de estímulo à educação e de erradicação do trabalho infantil
não surtiram o mesmo efeito em todas as metrópoles. Em Salvador e no Rio de Janeiro,
o índice de trabalhadores até 15 anos é de 6,2%. Em São Paulo, é de 11,5% e
permanece na casa dos dois dígitos. As outras cidades em que o trabalho infantil
aumentou são Belo Horizonte e Porto Alegre.
"As políticas de estímulo à educação nas Regiões Norte e Nordeste tiveram efeito
positivo, enquanto o trabalho infantil se manteve e até cresceu nas regiões
metropolitanas de São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte, onde a situação de
ensino sempre foi melhor", diz Marcelo Neri.
Segundo Neri, o aumento se deve ao elevado nível de desemprego nessas metrópoles.
A criança se vê forçada a complementar a renda da família e acaba entrando no
mercado de trabalho, principalmente no informal, sem carteira assinada. Ela trabalha
em ocupações como cobrador de transportes alternativos - as vans e peruas - ou no
garimpo de material reciclável nas ruas e lixões (leia mais sobre crianças que trabalham no lixão).
Trabalho infantil dentro de casa - O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)
aponta que 400 mil meninas com idade entre 10 e 16 anos são domésticas no país.
Em média, ganham 60% do salário mínimo. A cada dez, três esqueceram o caminho da
escola. A cada cem, quatro nada recebem de suas "patroas".
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