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O Brasil no ranking da corrupção
Ver tantos casos de desvios de conduta por parte dos políticos
chega a dar a impressão de que vivemos no único ou no mais corrupto
país do mundo. Mas estudos e pesquisas demonstram que o Brasil não
é o único e muito menos o país mais corrupto que existe.
Todo ano, a organização não–governamental Transparência
Internacional divulga seu “ranking da corrupção”.
A lista, que é reconhecida pela Organização das Nações
Unidas (ONU), mostra o Brasil na 62.ª posição entre aproximadamente
150 países.
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O tamanho do monstro
• 5% do PIB global são desviados por ano, isto é: 1,5
trilhão de dólares caem em mãos erradas.
• No Brasil, essa proporção é de 0,5%: um montante
de 10 bilhões de reais, mais que todo o orçamento previsto para
a educação.
Fontes: Bird e Economia Política da Corrupção,
livro de Marcos Fernandes Gonçalves da Silva (Editora Senac, 2002).
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| Foto: Divulgação |
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| Cláudio
Weber Abramo, da Transparência Brasil: “A cada dia temos 4,3
novos casos de corrupção na imprensa”. |
A Transparência Brasil, organização associada à
Transparência Internacional, mantém um projeto chamado “Deu
no Jornal”, que consiste em um banco de dados de notícias sobre
corrupção. “Nós recolhemos noticiário sobre
corrupção de 63 veículos diariamente, e o número
de casos novos que aparece na imprensa é de 4,3 por dia”, explica
o diretor executivo Cláudio Weber Abramo. Isso quer dizer que a corrupção
aumentou no Brasil? “A corrupção é um fenômeno
escondido e não se consegue determinar a incidência dela. Mesmo
com a mudança do Brasil no ranking e com essa explosão de notícias
sobre corrupção, não é possível saber se
aumentou. Exatamente porque é secreto,” revela.
“O que eu verifico, inclusive em relação a episódios
mais recentes — como o do “mensalão”, das “sanguessugas”
e, na sociedade, da Daslu e dos doleiros — é que, na maioria dos
casos, a prática criminosa já durava pelo menos cinco anos. Não
são fatos recentes,” conta Luiz Otavio Cavalcanti, que há
anos se dedica a estudar os meandros da corrupção no Brasil e
é autor de diversas pesquisas sobre o assunto, incluindo o livro Como
a Corrupção Abalou o Governo Lula (Ediouro, 2005). “Não
creio que haja mais corrupção hoje do que existia dez anos atrás.
O que está acontecendo é que ela está sendo mais visível”.
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