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O adolescente mais atuante
Sagrado e profano,
o carnaval é!
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Entrudo, quadro de Jean-Baptiste Debret.

"Todos com casaca de seda a escorrer ovos, a cara empastada de sangue e lama, cobertos das maiores imundícies e dos mais sórdidos desejos, corriam as ruas debaixo da saraivada dos pós de panelas, das laranjas-de-cheiro, da farinha, dos esguichos." Júlio Dantas usou essas palavras para descrever, na Gazeta de Notícias, como foram alguns dos mais movimentados episódios carnavalescos em Recife, em 1909. Por incrível que pareça, algumas regiões do país conservam até hoje, sob o nome de "mela-mela", o hábito de emporcalhar os pedestres durante o carnaval.

Não é exagero dizer que nosso carnaval já foi uma meleca. Na casa-grande e na senzala, brincava-se o entrudo com o mesmo entusiasmo. O costume, herança de Portugal, consistia em todo tipo de brincadeira e correria a fim de lambuzar a roupa dos desavisados que circulavam nas ruas. Era comum ver escravos carregando latas de pó e cântaros com água para suprir seus senhores de munição para a batalha. Quanto mais elegante o traje, mais visada era a pessoa.

 

Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz.

(Marcha de Quarta-feira de Cinzas, Vinícius de Moraes)


Quanto riso
Ó! Quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
O Arlequim está chorando
Pelo amor da Colombina
No meio da multidão

(Máscara Negra, Zé Kéti)


 

A mania mobilizava famílias inteiras que, semanas antes da festa, já se dedicavam à fabricação artesanal de limões-de-cheiro, principal arma da brincadeira. Era uma bola de cera moldada com laranja ou limão que levava em seu interior água e, em alguns casos, urina. Durante o entrudo, as famílias se reuniam em suas casas para arremessá-los das janelas ou ainda para despejar baldes de água suja e todo tipo de entulho e pó nos passantes. Do lado de fora, a população negra saía às ruas, desfilando sua batucada.

Somente a partir de 1850, o entrudo começou a perder popularidade. Para conter a bagunça, as autoridades locais instituíram multas a quem o praticasse. Quem não pudesse pagá-las era preso por vários dias. E se fosse escravo era punido com chibatadas. Porém o golpe fatal contra o entrudo foi a queda de prestígio, à medida que surgiam elegantes bailes de máscaras à moda dos carnavais europeus.

Nos salões, havia três personagens principais: o Pierrô é sentimental e se derrete de amores pela volúvel e sedutora Colombina. O palhaço Arlequim é seu rival. Diverte-se com a ingenuidade de Pierrô e usa todas suas artimanhas para conquistar o coração da Colombina. É nesse triângulo amoroso que os compositores se inspiraram para criar algumas das mais belas marchinhas de carnaval.

 

 

   

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