A apoteose das escolas de samba e seu cortejo de carros alegóricos,
comandados por uma orquestra de tamborins, surdos e pandeiros; o cordão de foliões
vestidos com a mesma fantasia e entoando eternas marchinhas de carnaval; a animada
fanfarra tocando um frevo em ritmo frenético e uma multidão improvisando passos
com sombrinhas coloridas; e esse mesmo frevo eletrificado, ao som de guitarras,
em cima do trio elétrico e só não vai atrás quem já morreu. Quase todas
as manifestações carnavalescas tipicamente brasileiras são muito recentes, são
criações do século XX.
 |
|
|
Viva o Zé Pereira
Que a ninguém faz mal!
Viva o Zé Pereira
No dia do Carnaval!
(Versinhos do primeiro grito de carnaval. Cantados na véspera,
anunciavam a chegada da folia)
|
|
Faz pouco mais de 150 anos, em 1848, que um sapateiro português
chamado José Nogueira de Azevedo Paredes reuniu alguns amigos e saiu
pelo Rio de Janeiro em barulhenta passeata. Saiu tocando um enorme bumbo que,
tocado na horizontal, marca o ritmo de nossos carnavais até hoje. Na
confusão, as cantigas ganharam o nome de Zé Pereira e conquistaram
o país de Norte a Sul. Em 1850, a primeira das grandes sociedades, o
Congresso das Sumidades Carnavalescas, desfilou seu luxo na avenida em cima
de carros alegóricos. Foi saudada até pelo escritor José
de Alencar, num tempo em que ser chique era participar dos bailes de máscara
à moda européia.
Na reportagem a seguir, você mergulha nas raízes
da maior festa popular brasileira. Vai saber um pouco das origens do carnaval
no Brasil e no mundo, das saturnais romanas ao entrudo português. Esse
mesmo entrudo que reinou sozinho no Brasil até o sapateiro português
pôr o primeiro bloco na rua e a alta classe carioca se render ao prazer
de desfilar em um carro alegórico.
|