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Por Vitor Casimiro Publicado em 25/03/2002 Atualizado em 28/12/2006
por César Munhoz
Não adianta mais chorar a água derramada.
Está na hora de fechar as torneiras. Enquanto esse valioso líquido
escorre pelo ralo da poluição, do desperdício e da ocupação
dos mananciais, o crescimento populacional e o conseqüente aumento da demanda
por água ameaçam de colapso as reservas de água doce ainda
disponíveis.
| Nair Benedicto/Keydisc |
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| Nordeste brasileiro: símbolo
da má distribuição de água na Terra. |
Uma coisa é líquida e certa: não tem água
para todo mundo. Não que a Terra um dia vá ser igualzinha à
paisagem desértica dos filmes Mad Max ou Duna. Nada disso.
Todo mundo já ouviu falar no ciclo das águas, certo? Pois bem,
de fato, a água se renova infinitamente. Rios, lagos e oceanos evaporam,
o vapor d'água fica um tempinho na atmosfera e depois volta na forma
de chuva para reabastecer os mananciais e o subsolo, onde tudo começou.
Em outras palavras, a fonte não vai secar. Para cessar a produção
de água no planeta, só se o mar virar sertão. Até
aí tudo bem, sábia mãe natureza. Mas pouca gente se dá
conta de que o problema não é a falta de água e sim a má
distribuição e o mau uso desse precioso recurso. Desperdiçando
e poluindo, aí sim, não há água que chegue! De nada
adianta ignorar o catastrofismo da ficção científica, o
problema é sério e real.
Enquanto a humanidade usar e abusar da água como se ela fosse inesgotável,
o colapso no seu fornecimento vai ser uma ameaça concreta. Abundante
ela é, admite-se. Compõe mais de dois terços (precisamente
71%) do planetinha azul. No horizonte, ela existe a perder de vista nos oceanos.
Se, em vez de observá-la ao nível do mar, você estiver no
pé de alguma montanha, a sensação é a mesma. Ela
está sobrando nos cumes gelados.
É tanta água que talvez por isso se esbanje tanto. Na reportagem
a seguir, você vai ver que as aparências enganam. É hora
de fechar as torneiras. De acabar com o desperdício. A fartura de água
não quer dizer que ela esteja disponível onde se precisa. E, onde
a água é abundante, nem sempre ela tem a qualidade necessária
para o consumo.
Quer ver um exemplo: quem lhe vem à mente quando você ouve falar
de falta d'água? Pode apostar que a maioria pensa nos habitantes de regiões
castigadas pela seca, que buscam o que beber em uma poça de água
barrenta. Mas isso pode ter mais a ver com os moradores das grandes metrópoles
do que você pensa. Se alguém anda léguas à procura
do gole que restou, cidades inteiras são obrigadas a buscar água
a dezenas, centenas de quilômetros de distância se seus rios estão
poluídos. Na reportagem a seguir, você vai entender os motivos
desse drama mundial.
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