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por Diogo Dreyer, em 09 de setembro de 2002
Há exatamente um ano, o mundo assistia espantado
ao mais violento ataque terrorista de todos os tempos. O saldo
de 11 de setembro de 2001, além dos mais de 3 mil mortos,
foi uma guerra contra o Afeganistão e mudanças
políticas, econômicas, culturais e sociais que
ainda levarão anos para serem definidas pelos historiadores.
| Foto por J. Weston Meadows |
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| Jovens assistem à
queda de uma das torres do WTC. |
11 de setembro de 2001. 8h48 da manhã. Os habitantes
de Nova Iorque assistem a um Boeing 737, da American Airlines,
cruzar o ar de Manhattan e — como num filme de ação
ao qual estavam cansados de assistir ou numa história
em quadrinhos de super-herói — chocar-se com a
torre norte do World Trade Center. 9h03. Ainda atônitos,
como se à espera de seus heróis da ficção,
que teimavam em não aparecer, presenciam outro Boeing,
dessa vez um 767, da United Airlines, cruzar o Rio Hudson e
atingir em cheio a torre sul do WTC.
Agora, já inseridos no mundo real, onde as pessoas
de verdade também se machucam e morrem, ficam sabendo
que, às 9h40, o prédio do Pentágono,
sede da Secretaria de Defesa dos EUA, em Washington, a capital
do país, foi atingido por outro avião da American
Airlines. Minutos mais tarde, parte do prédio desaba.
Mas o pior ainda está por vir.
10h02. O impensável: desaba a torre sul do World Trade
Center, levando consigo milhares de pessoas ainda presas em
seu interior, além das equipes de resgate que lá
estavam. 10h03. Um avião da United Airlines cai no
condado de Somerset, na Pensilvânia. 10h29. A torre
norte do WTC desaba, levantando poeira em toda a região
sul da cidade de Nova Iorque. 21h30. George W. Bush, assumindo
o papel do super-herói, já que este não
apareceu na hora H, fala à nação e promete
que os culpados serão encontrados e punidos. Começa
assim, oficialmente, o século XXI.
O gigante vencedor da Guerra Fria é atingido em seu
coração e o mundo fica sabendo que, apesar de
seu sofisticado sistema de defesa antimísseis, sua
integridade também está à mercê
do “mal”, assim como qualquer café no centro
de Telaviv ou posto de polícia na Caxemira.
Hoje, após um ano, o mundo contabiliza as mudanças
pelas quais foi obrigado a passar. Segurança, política,
economia, cultura, liberdade. Nada mais é igual ao
que conhecíamos até o dia 10 de setembro do
ano passado, e a dinâmica dessa reformulação
ainda assusta.
Não há dúvidas de que ainda será
preciso mais tempo para enxergarmos o tamanho real dos atentados
na história da humanidade, mas algumas coisas já
temos de concreto. Talvez a principal seja que, se o resto
do mundo ainda tenta superar o acontecido, para os norte-americanos,
é ainda mais difícil se recuperar da pancada,
já que eles têm de se confrontar com esta verdade:
seus heróis também são falíveis.
O ator Tom Hanks declarou recentemente que os atentados de
11 de setembro são como "Pearl Harbor e os assassinatos
de John F. Kennedy e Martin Luther King juntos" e que
será preciso muitos anos para o povo americano superar
esses fatos.
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Caio Blinder, jornalista brasileiro radicado
em Nova Iorque, especialmente para o Educacional.
No começo, foi difícil se acostumar
com a ausência das torres gêmeas do
World Trade Center no meu trajeto diário
de casa, do subúrbio de Glen Rock para
o trabalho em Manhattan. Eu as divisava do carro
no meio da ponte George Washington, no Rio Hudson.
Foi mais difícil se acostumar com a presença
dos soldados da Guarda Nacional vigiando a ponte
naquelas semanas frenéticas pós-11
de setembro.
Apesar do ar entediado, eles ofereciam uma sensação
de proteção. Mas também traziam
lembranças dos meus dias de estudante nos
tempos da ditadura militar brasileira. É
sempre desconfortável encontrar a medida
certa no binômio segurança e liberdade.
George W. Bush nunca foi o presidente dos meus sonhos, mas,
durante aquele pesadelo, acatei sua autoridade como porta-voz
da civilização. Não me envergonho por
ter me emocionado quando Bush, de megafone em punho, animou
os bombeiros que trabalhavam nos escombros do World Trade
Center.
Foram dias trágicos e memoráveis. Já
se passou um ano, uma eternidade em uma era de gratificações
instantâneas, traumas fugazes e memória curta.
Em todo caso, vamos fazer um balanço.
Com 11 de setembro, a superpotência atacada barbaramente
perdeu uma oportunidade histórica, talvez única,
de se abrir ao mundo e efetivamente liderar sem se impor de
forma arrogante. O país de Bush é introspectivo,
defensivo, protecionista e unilateral. Era assim antes de
11 de setembro e as tendências foram reforçadas
com o triunfo dos superfalcões dentro do governo.
Eu também assumo uma visão unilateral. Não
na geopolítica, mas no trânsito.
Agora, quando cruzo a ponte George Washington
rumo a Manhattan, tenho olhos apenas para o divino
Empire State Building.
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As fotos dessa reportagem foram
retiradas do site The September 11 Digital Archive - http://911digitalarchive.org/
-, um arquivo eletrônico de fotos e depoimentos públicos
dedicado aos atentados em 11 de setembro.
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