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  Rússia X Geórgia: entenda o conflito  
  Publicado em 15/08/2008
Atualizado em 29/08/2008
Por César Munhoz
Comentários de:
- Ederson Santos Lima, historiador do portal
- Helen Simone França, geógrafa do portal
 

Imagem: Positivo Informática / Helena Francio
A Ossétia do Sul faz parte do território georgiano, mas tem uma relação muito mais estreita com o lado russo.
A Ossétia do Sul faz parte do território georgiano, mas tem uma relação muito mais estreita com o lado russo.

No dia 08 de agosto de 2008, a abertura da Olimpíada de Pequim teve que dividir as atenções da imprensa mundial com outro acontecimento que não tinha nada de comemorativo. Foi o início do mais recente conflito armado entre a Rússia e a Geórgia, ambas remanescentes da ex-União Soviética.

A guerra tem como pivô a região da Ossétia do Sul, que faz parte do território georgiano, mas é habitada principalmente por russos, e tem um relacionamento mais estreito com a Rússia (onde fica a Ossétia do Norte) do que com seu próprio país. A população da Ossétia do Sul é etnicamente diferente da Geórgia. O idioma também. A maioria usa a moeda russa e até mesmo passaportes russos. Na verdade, essa região só faz parte da Geórgia porque foi anexada à força durante o regime soviético e permaneceu assim depois do fim da União. Mas essa não é a única razão para a ocorrência do conflito, ele é apenas a ponta de um iceberg, o cúmulo de uma tensão que vem se desenrolando há muito tempo.

Uma longa história de conflitos

O conflito que tomou conta das páginas dos jornais e sites de notícias até poderia, para um leitor desatento, ser uma surpresa, algo muito localizado e inesperado. Porém, um pouco mais de atenção, leitura e memória mostram que russos e georgianos já estão trocando farpas há pelo menos 18 anos, mesmo antes do fim da URSS, em 1991.

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No atual conflito Geórgia—Rússia, o discurso tem sido bem diferente das ações. Os dois lados falam em cessar fogo e em soluções diplomáticas, mas, na prática, não acontece nada disso. Aliás, o conflito tem impressionado pela violência. Tanto as tropas georgianas quanto as russas têm assassinado civis e incendiado vilas, entre outras atrocidades. Além da violência, a batalha também assusta por trazer para a atualidade resquícios da “guerra fria”, uma espécie de atrito silencioso entre Estados Unidos e União Soviética após a Segunda Guerra Mundial.

“A Rússia está sozinha nessa batalha”, diz o historiador da Universidade Federal Fluminense Daniel Aarão Reis Filho, explicando que, entre as grandes potências, somente os Estados Unidos estão se posicionando claramente, e a favor da Geórgia. “A França, no papel de presidir a comunidade européia, está cumprindo o papel de mediador, procurando não tomar partido e induzir a uma paz que leve ao estado anterior das coisas”, completa Reis Filho. O problema é que a Rússia não quer voltar a esse estado anterior, por diversas questões, que incluem o fornecimento de energia.

Guerra de energia

Você consegue imaginar a crise social, política e econômica que ronda um país ameaçado pelo corte de energia? Não é fácil, sem dúvida. A energia é responsável, em grande parte, pelo progresso econômico e bem estar social de uma população. Por isso, o setor energético é considerado estratégico pelos governos do mundo todo.

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Além do gás e do petróleo, estão em jogo também a aliança que a Geórgia quer estabelecer com a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). O governo russo busca ampliar sua influência na região, mostrando um certo saudosismo do tempo em que a URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, mandava e desmandava nas repúblicas do Cáucaso. “E não podemos deixar de citar a política que a Geórgia tem com as minorias russas na Ossétia do Sul, que é muito truculenta”, conclui o historiador, lembrando a discriminação clara feita pelo governo georgiano em relação a estas populações.

Sombras da Guerra Fria surgem no Cáucaso

Ao assinarem um tratado de cessar-fogo, proposto pela União Européia, Rússia e Geórgia pareciam dar sinais de que os problemas em torno da Ossétia do Sul e da Abecásia se reduziriam a níveis aceitáveis, permitindo que a diplomacia pudesse agir e solucionar o impasse.

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• Saiba mais sobre o processo de dissolução da União Soviética.

• Entenda a situação atual das ex-repúblicas soviéticas.

 

 

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