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Álcool e direção
Biologia, Química, Física, leis e comportamento: uma análise abrangente.
Publicado em 04/06/2009 Por César Munhoz
Comentários de:
- Alessandro Haus, químico do portal
- Alexandre Loureiro, biólogo do portal
- Jairo Bouer, médico e especialista em comportamento jovem do portal
- Jomar Alves Moreno, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/DF
- Sandro Ferreira, físico do portal
A regra é clara: álcool e direção não têm espaço no mesmo jogo. O fato é que, mesmo que todo mundo saiba disso, os acidentes de trânsito causados por pessoas embriagadas continuam acontecendo. De acordo com o Registro Nacional de Acidentes e Estatísticas de Trânsito (RENAEST), do Ministério das Cidades, esse tipo de ocorrência vem crescendo principalmente entre os jovens. Os noticiários confirmam esse dado: todo dia, há uma manchete trágica sobre alguém voltando de uma festa que não conseguiu chegar em casa. Está mais do que provado que o consumo de álcool, por mais que a quantidade ingerida seja insignificante, compromete os reflexos de uma pessoa a ponto de deixá-la incapacitada para dirigir. Entenda melhor como isso acontece observando os infográficos abaixo.
Infográfico: Os conceitos de espaço de frenagem e colisão frontal
Coalha/Positivo Informática
Informações de Sandro Ferreira, físico do portal.
Infográfico: O álcool no corpo humano
Diego de Freitas/Positivo Informática
Informações de Alexandre Loureiro, biólogo do portal.
A molécula de etanol
O etanol (C2H6O), também chamado de álcool etílico, é uma substância incolor, inflamável, de odor bem característico e solúvel em água, apresentando ponto de fusão -114,1°C e ponto de ebulição 78,5°C.
O metabolismo do álcool etílico consiste basicamente na sua oxidação, passando por aldeído acético (C2H4O) e, em seguida, ácido acético (C2H4O2), até formar gás carbônico (CO2) e água (H2O).
Veja a reação:
Imagem: Luís Felipe dos Santos / Positivo Informática
Por Alessandro Haus, químico do portal
O funcionamento do bafômetro portátil
Imagem: Comunicação Social BPTran Paraná
Os bafômetros portáteis contêm pequenos tubos nos quais há uma mistura aquosa de dicromato de potássio, ácido sulfúrico e sílica. Para detectar se a pessoa está embriagada ou não, ocorre uma reação de oxidação de álcool a aldeído e uma reação de redução do dicromato (Cr2O7) a cromo III (Cr+3) ou ainda a cromo II (Cr+2). Por exemplo, ingerindo-se uma taça de vinho (100 ml) ou um copo de cerveja (200 ml), já se ultrapassa a dosagem máxima permitida pela nova lei de trânsito brasileira, que é de 0,2 g de álcool por litro de sangue. Veja as equações abaixo, que representam a reação química do bafômetro portátil.
Imagem: Luís Felipe dos Santos / Positivo Informática
Por Alessandro Haus, químico do portal
Se conscientização não basta, recorre-se à lei, que, no Brasil, estipula punições exemplares para quem dirige sob efeito do álcool. Desde 20 de julho de 2008, a Lei 11.705 proíbe o consumo de qualquer quantidade de bebida alcoólica por quem estiver com as chaves na mão. Quem for pego com 0,2 grama ou mais de álcool por litro de sangue terá de pagar uma multa de mais de 900 reais, terá o carro apreendido e perderá a carteira. Se o bafômetro acusar mais de 0,6 grama de álcool por litro de sangue, o motorista poderá ser preso. Saiba mais sobre o assunto, nesta entrevista que o portal fez com o advogado Jomar Alves Moreno, da Ordem dos Advogados do Brasil.
5 PERGUNTAS PARA Jomar Moreno, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/DF
1) Em que situações o motorista pode recusar o exame do bafômetro, quando abordado em uma blitz?
A partir do momento que o motorista tiver ingerido uma quantidade qualquer de álcool, já estará praticando um ato ilegal. Se ele for parado em uma blitz da Polícia Militar ou do Detran e se negar a fazer o exame do bafômetro, a autoridade pode encaminhá-lo para a delegacia mais próxima. De lá, ele será encaminhado ao IML, para fazer o exame de dosagem de álcool no sangue. Ele pode se negar a fazer o bafômetro, pois ninguém é obrigado a fazer prova contra si próprio.
A autoridade policial tem do seu lado a "fé pública": em tese, o que a autoridade policial fala é verdade, até que se prove o contrário. Então, se a autoridade policial pegar o motorista caindo de bêbado ou inconsciente, não precisa fazer nenhum exame. A própria palavra da autoridade já vale, e então esse cidadão é preso em flagrante.
Se o motorista ingerir bebida alcoólica e se envolver em um acidente de trânsito, e se nesse acidente houver vítimas, em especial vítimas fatais, as autoridades policiais e os juízes já consideram isso hoje como sendo um crime doloso, o que quer dizer que a pessoa assumiu o risco de tirar a vida de um terceiro. Pode pegar até 12 anos de cadeia. Antes, esses crimes eram considerados culposos, para os quais a pena varia de 2 a 4 anos, e dificilmente alguém era preso. Mas hoje, já se considera esse crime como sendo doloso.
Tem funcionado muito bem. O que não pode é diminuir a fiscalização. Diminuiu substancialmente o número de vítimas em acidentes de trânsito, em especial vítimas fatais. Então, a Polícia Militar e o Detran não podem relaxar na fiscalização. Antes, era muito liberal a lei. O cara poderia estar dirigindo sob o efeito de bebida alcoólica que nada aconteceria a ele. Hoje, não. O cidadão pode ser preso em flagrante, vai ter a carteira cassada, vai pagar uma multa de quase mil reais. É importante ter uma multa bem salgada como essa.
A OAB recomenda às autoridades policiais que continuem com a política de fiscalização ostensiva, objetiva, constante. Quanto mais fiscalização, menos vítimas fatais.
Que álcool e direção não combinam, todos nós sabemos. Que, em nosso País, há leis severas para punir quem tenta aliar os dois, também já sabemos. Mas por que tudo isso não é suficiente para que os acidentes diminuam? As estatísticas apontam que boa parte das ocorrências de trânsito envolvendo pessoas alcoolizadas acontece no final de semana. A galera vai para a balada, bebe todas e sai dirigindo, e o resto a gente já sabe. Para nos ajudar a entender um pouco sobre o que leva a esse comportamento, chamamos o médico Jairo Bouer. Veja o que ele nos disse.
4 PERGUNTAS PARA Jairo Bouer, médico e especialista em comportamento jovem do portal
1) Por que é tão difícil resistir ao primeiro copo de bebida alcoólica quando se está na balada?
Por vários motivos: o clima da balada, a ideia equivocada de que para se divertir deve-se beber, a pressão dos amigos, a vontade de “impressionar” as pessoas, o desejo de ficar mais alegre e desinibido, entre outros.
2)De onde vem o desejo de “beber até cair”, tão comum entre os jovens?
É a ideia de que o bacana não é beber apenas um pouco e, sim, muito. Não adianta só ficar alegrinho e desinibido, mas aproveitar a oportunidade para encher a cara. Esse padrão de consumo de bebida felizmente não é seguido pela maioria dos jovens. É bom lembrar que ele tem uma relação direta com o aumento dos riscos que o jovem corre por causa da bebida.
3) Por que o álcool aumenta a autoconfiança?
Porque ele atua em centros do sistema nervoso central que atuam sobre nossa capacidade de avaliar situações e fazer julgamentos. É como se eu me sentisse mais forte, poderoso e confiante do que realmente sou. Assim, acho que posso guiar meu carro mesmo depois de beber, chego mais facilmente nas pessoas, fico mais ousado, entre outros comportamentos.
4) Beber é sinônimo de status entre os jovens. O que explica isso?
Questões culturais, exemplos vistos dentro de casa, desejo de ser aceito e participar do grupo de amigos, força e pressão das campanhas publicitárias de bebida e a moda de beber são alguns deles.
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