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  Campanha eleitoral: menos superprodução, mais debate?  
  18/07/2006
Por César Munhoz
Comentários de Ederson Prestes Lima (História)
 

 

Em 2006, novamente o clima de eleições promete mexer com corações e mentes em todo o Brasil, fazendo com que os brasileiros vão às urnas escolher seus representantes. Este ano, os cargos a serem disputados são presidente da República, senador (uma vaga), governador, deputado federal (número de vagas variável de estado para estado), e deputado estadual (número de vagas também variável em cada estado).

A herança do Barão de Montesquieu e os três poderes

 

Crédito: Enciclopédia Delta
Barão de Montesquieu

Atualmente, grande parte dos países, sejam eles repúblicas ou monarquias, utiliza a divisão do poder do Estado em três setores: Judiciário, Legislativo e Executivo. Enquanto no primeiro juízes e promotores precisam passar por um concurso público para realizar suas funções, nos dois últimos seus representantes são escolhidos pela população por meio do voto. Mas qual é a origem dessa divisão?

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Como funcionam os três poderes?
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Cidadania: termo que expressa um conjunto de direitos e deveres que confere a cada pessoa a possibilidade de participar ativamente da vida comunitária e do governo de seu povo. Por extensão, também designa o conjunto de indivíduos que gozam desses direitos e respondem por esses deveres.

As eleições representam um dos momentos mais importantes daquilo que costumamos chamar de “cidadania” e deveriam ser tratadas como tal. Infelizmente, o que víamos até a última campanha, é que os candidatos, ao invés de promoverem um debate racional e objetivo de propostas, investiam volumes inimagináveis de dinheiro para realizar viagens por todo o Brasil, produzir campanhas publicitárias de grande impacto emocional, distribuir brindes e ter ao seu lado os artistas do momento. Por exemplo: não se falava mais em comício, mas sim em "showmício": o eleitor era atraído pela apresentação de músicos famosos e, hipnotizado, mal prestava atenção no discurso dos candidatos, confundindo os limites entre o gosto pelo ídolo e a simpatia pelas idéias do político.

Se a enxurrada de CPIs dos últimos dois anos não resolveu o problema da corrupção, pelo menos ajudou a escancarar os bastidores do marketing político: uma campanha de sucesso, com brindes e artistas, era feita com milhões de reais, e uma boa parte desse dinheiro não era contabilizada. Era o famoso "caixa 2", que escapava aos impostos. A partir deste ano, as regras serão diferentes. O TSE – Tribunal Superior Eleitoral publicou, em 10 de maio último, uma série de alterações em relação à lei eleitoral, a maioria delas com a finalidade de limitar e monitorar os gastos de campanha. As principais mudanças são:

• Todo ano de eleições, até o dia 10 de junho, o TSE vai estipular um teto para os gastos com campanha que será válido para todos os partidos políticos. Antes, eram os partidos que definiam seus próprios limites. Essa regra ainda não vale para 2006.

• Os partidos precisarão informar ao TSE quanto vão gastar com cada candidato, e não apenas em toda a campanha. Também não vale para este ano.

• O candidato é responsável pelas ações do seu tesoureiro. Na verdade, a responsabilidade já existia. Essa lei apenas explicita ainda mais a ligação entre os dois.

• Estão proibidas as doações em dinheiro vivo para os candidatos. Toda a quantia gasta na campanha deve sair de uma única conta, e os depósitos nela só podem ser feitos com cheques nominais ou por meio de transferência eletrônica.

• Os partidos terão até 6 de setembro para apresentar um relatório detalhado das receitas e despesas da campanha, que ficará disponível a qualquer cidadão brasileiro.

• É proibido pintar ou colocar cartazes e faixas em qualquer bem público ou de uso comum, como postes e viadutos. Nem mesmo outdoors (que não são bens públicos) podem ser usados. Apenas os "santinhos" são permitidos.

• Estão proibidos os showmícios e a distribuição de brindes, como camisetas, bonés, etc.

Reforma política: mudanças no sistema eleitoral brasileiro

Todos os anos em que há eleições no Brasil, alguns problemas que afetam o sistema político do país — como corrupção, mudanças de partido político (infidelidade partidária) e distanciamento entre os políticos e a população — vêm à tona e muitos grupos da sociedade buscam reformar ou aperfeiçoar o sistema político brasileiro.

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Financiamento de campanha: deve ser público ou privado?
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Discutiu-se também a adoção da verticalização, que “bloqueia” as coligações entre partidos nos estados, fazendo com que elas obedeçam, obrigatoriamente, às alianças que forem feitas na campanha para presidente. Mas, para a alegria dos candidatos, ela foi derrubada. Debate antigo, mas sempre sufocado, a verticalização levanta outra questão, ainda mais séria: a da fidelização partidária. Da mesma forma que os partidos fazem coligações, digamos, “contraditórias”, os próprios candidatos mudam de partido como trocam de roupa. Mas partidos não seriam justamente coletivos de pessoas com idéias únicas? Quer dizer então que os políticos estão mudando de idéia a toda hora? Ou será que isso nem importa mais?

Fidelidade partidária

Para ser candidato a algum cargo político, um cidadão brasileiro precisa ser filiado a um partido político. E isso, teoricamente, significa que ele deve estar afinado com o programa de governo desse partido.

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Mesmo com a derrubada do bloqueio de alianças, a campanha política neste ano promete marcar a história. Como será que os candidatos e seus marqueteiros vão conseguir lidar com a ausência de artistas e brindes, que até então eram duas de suas principais armas? Será que os candidatos “pequenos” terão as mesmas chances dos considerados como principais?

 
 

 

 

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