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O sucesso da multimistura

Mesmo com tanta tecnologia e técnicas de plantio e de colheita de alimentos cada vez mais avançadas, a desnutrição e a fome ainda assolam países que vivem abaixo linha da pobreza, como o Haiti, na América Central. Recentemente, vimos, pela mídia, o terremoto que destruiu parte desse país e expôs ao mundo a miséria em que vivem os haitianos.

Desde 1985, a multimistura faz parte do programa de combate à desnutrição implementado pela Pastoral da Criança. Essa organização trabalha com o conceito de alimentação enriquecida valorizando o alimento cultivado localmente e incentivando seu uso integral, ou seja, o consumo de todo o vegetal, inclusive de suas folhas, talos e/ou raízes.

Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a multimistura — também denominada de “mistura à base de farelo” — é feita a partir da secagem, torrefação, moagem e mistura de grãos de cereais, leguminosas, frutos, sementes, tubérculos e raízes.

Na verdade, o nome multimistura foi dado a uma farinha rica em nutrientes que é composta de diversos alimentos como farelos de cereais, casca de ovo, folhas verdes escuras em pó, amendoim, soja, entre outros. O uso desse produto tem como objetivo complementar a alimentação das crianças que apresentam deficiência em crescimento e em ganho de peso. Os nutrientes encontrados nessa farinha — vitaminas do complexo B, vitamina A, minerais como cálcio e zinco e também fibras — ajudam no tratamento da desnutrição. Essa, porém, é apenas uma parte do projeto, pois as famílias participantes também são orientadas com noções e ações básicas de saúde, de higiene, de nutrição e de cidadania. O programa faz ainda o encaminhamento de gestantes e de crianças aos postos de saúde para que sejam atendidas nas suas enfermidades e acompanhadas até a cura e o restabelecimento de suas condições de saúde. As fórmulas são determinadas conforme a disponibilidade e a cultura alimentar de cada região.

Desde o surgimento dessa receita, muitos estudos científicos e pesquisas foram realizados com o intuito de demonstrar os reais benefícios que traria seu consumo às crianças desnutridas e se haveria algum prejuízo à saúde. Muitos desses resultados foram repassados à Pastoral da Criança e, assim, novas orientações no processamento e manejo da multimistura foram sendo realizadas para que houvesse um melhor aproveitamento dos nutrientes presentes nela.

É importante frisar que essa farinha é apenas uma ferramenta no combate à miséria e à fome. Não se pode esquecer que, se não houver programas governamentais de ampliação e melhoria do saneamento básico, acesso da população às ações básicas de saúde, incluindo programas de incentivo ao aleitamento materno, acompanhamento no pré-natal, campanhas de vacinação extensiva a toda a população do País, controle de doenças (como diarréias) por falta de higiene e uma maior efetividade dos programas sociais de nada adiantará apenas o consumo da multimistura.

Muito há ainda a se fazer no combate à fome e à desnutrição. Se os governos de países tão pobres como o Haiti ou a Somália, na África, aderissem e apoiassem iniciativas como a da Pastoral da Criança e fizessem sua parte no programa, certamente não teríamos quadros tão tristes e um número tão grande de crianças morrendo de fome. Convido todos a pensar a respeito.

Até a próxima!

   

 

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Gisele Pontaroli Raymundo


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