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O desejo de trocar gordura por massa muscular em pouco tempo e sem muito esforço
povoa a cabeça de muitas pessoas, principalmente dos adolescentes. E esse desejo
faz com que muitos usem de maneiras mais rápidas, porém muito perigosas de obter
o efeito desejado. Infelizmente, em academias de ginástica, alguns profissionais
(autodenominados) de saúde vendem esses sonhos de resultado rápido oferecendo
substâncias que muitos chamam de suplementos alimentares, mas que, na verdade,
são drogas com efeitos colaterais muito graves. Trata-se dos hormônios
esteroides anabolizantes ou só anabolizantes, popularmente denominados de
“bombas”.
Os esteroides anabolizantes são derivados do hormônio masculino
testosterona, sendo indicados pelos médicos para tratar de doenças provenientes
da falta natural desse hormônio em homens. Entre seus efeitos, está o ganho de
massa muscular e de força, mas também há outros, que, muitas vezes, são nocivos.
Essas drogas começaram a ser usadas pelos soldados alemães na Segunda Guerra
Mundial, com a intenção de aumentar seu nível de agressividade.
Os
atletas descobriram seus efeitos nos anos 50 do século passado, mas foi na
década de 70 que seu uso se disseminou, principalmente entre esportistas e
frequentadores de academias de halterofilismo. Até mesmo mulheres começaram a
utilizá-los. Em 1975, o Comitê Olímpico Internacional (COI) os classificou como
droga ilícita, e seu uso passou a ser considerado doping. Nas Olimpíadas de Seul
(Coreia do Sul) de 1988, o velocista canadense Ben Johnson perdeu sua medalha
por causa do uso de esteroides. Foi a primeira vez que o COI puniu um atleta por
esse motivo e, a partir daí, tornou-se mais rigoroso o controle da utilização de
drogas, inclusive medicamentos, pelos atletas olímpicos.
Os efeitos
colaterais do consumo de anabolizantes sem controle e sem orientação médica são
deletérios. Alguns desaparecem após a suspensão do uso; outros, porém, são
definitivos no organismo. Os danos em homens e mulheres são diferentes. Nos
homens, ocorre atrofia dos testículos, esterilidade de até 7 meses após a
interrupção do uso, desenvolvimento de mamas — chamado de ginecomastia —,
impotência, dificuldade e/ou dor ao urinar, calvície e diminuição do tamanho da
próstata. Nas mulheres, há um engrossamento da voz, aparecimento de pelos na
face e aumento excessivo deles pelo corpo, perda de cabelo, irregularidade ou
interrupção do ciclo menstrual, atrofia da mama e do útero — enfim, ocorre uma
masculinização da mulher. Em ambos os sexos, pode acarretar o aparecimento de
tumores e cânceres, distúrbios hepáticos, psicose, oleosidade excessiva de pele
e cabelos, acne cística e crescimento excessivo de extremidades como mãos, pés e
maxilar, conhecido como acromegalia. Nervosismo, agressividade descontrolada,
flutuação do humor, paranoia, aumento do HDL — o chamado colesterol ruim —,
aumento da pressão arterial, irritabilidade e dificuldade de relacionar-se com
outras pessoas também são consequências do uso de esteroides
anabolizantes.
Outro alerta que se deve fazer é quanto ao uso de
anabolizantes de uso veterinário, a que algumas pessoas recorrem por
desconhecimento dos prejuízos que eles podem causar e/ou dificuldade de acesso
aos esteroides de uso humano. Alguns efeitos desse tipo de substância são
definitivos, como comprometimento neurológico e deformação dos músculos. Muitas
mortes também são decorrentes do seu uso.
Assim, é preciso ter muito
cuidado com a seleção de substâncias que se injeta no corpo. Desconfiar de
promessas de resultados rápidos e sem esforço é muito importante para preservar
a saúde e evitar complicações. O ganho de massa muscular é um processo lento e
progressivo e que necessita de orientação especializada, tanto no que diz
respeito à prática da musculação como no que diz respeito à dieta e ao uso de
suplementações. A Anvisa, em conjunto com o Instituto Adolfo Lutz, fez uma série
de análises em produtos vendidos como suplementos para esportistas e verificou
que muitos usam essas drogas nas suas composições, mas não as mencionam nos
rótulos, mesmo sendo proibidas. A maioria é importada ou entra no país de forma
irregular.
Como os anabolizantes são drogas, devem ser combatidos como
tais. Deve-se divulgar os efeitos colaterais do uso indiscriminado dessas
substâncias, a fim de alertar os jovens que desejam um corpo atlético em tempo
recorde sobre os prejuízos que poderão causar à sua saúde.

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