Fome e desnutrição

Faz tempo que a mídia não destaca a fome como manchete de noticiários e jornais. Todas as atenções estão voltadas para outra epidemia mundial: a obesidade. Porém não se pode negligenciar que ainda há uma multidão de famintos no planeta. O Instituto de Pesquisas sobre Políticas Alimentares, uma organização de combate à fome no mundo com sede nos Estados Unidos, afirma, em sua pesquisa realizada em 2006, que cerca de 815 milhões de pessoas passavam fome no mundo! Esse número, infelizmente, mantém-se. No Brasil, nos últimos 20 anos, os indicadores de fome e pobreza caíram pela metade. Em 1981, o Brasil fazia parte do grupo de países com seríssimos problemas nesse aspecto. Atualmente, o Índice de Fome Global (GHI, em inglês) do Brasil é de 5,43 em uma escala de zero a cem. Esse índice leva em consideração fatores como a mortalidade e a desnutrição infantil e o número de pessoas com deficiência nutricional que habitam países emergentes. Embora a situação brasileira tenha melhorado quanto a essa questão, ela ainda merece muitas discussões.

Mas o que é fome? O que é pobreza? Fome, pobreza e desnutrição estão intimamente ligadas. Para cientistas sociais e antropólogos, a fome caracteriza-se quando o indivíduo não consegue suprir as necessidades de nutrientes imprescindíveis para manter sua saúde e seu organismo funcionando adequadamente. Do ponto de vista nutricional, ela é mais significativa quando é crônica, ou seja, dura por muito tempo. A fome crônica, forma mais deletéria que a aguda, ocorre principalmente em países da África, abaixo da região do Saara, e no sul da Ásia, locais em permanentes guerras civis. Já a fome aguda, geralmente, é ocasionada por catástrofes climáticas, como terremotos, inundações e secas prolongadas. A pobreza é a condição em que as necessidades básicas do indivíduo (como alimentação, moradia, vestuário, educação e saúde) não são supridas, levando-o a sobreviver em condições absurdas, desumanas. Uma de suas causas é a migração da população da região rural para a urbana, principalmente para as grandes cidades. Essas pessoas vão em busca de trabalho e de melhores condições de vida, porém a realidade é outra. Na maioria das vezes, essa busca não se concretiza e essas famílias acabam formando comunidades. Assim é que são fundadas as favelas, onde seus habitantes vivem em condições precárias. Esses indivíduos também são mal remunerados e, por isso, muitas crianças deixam de frequentar a escola para ajudar no sustento da família. Em decorrência dessa situação, as pessoas não se alimentam adequadamente e, então, surgem outras implicações: a fome e a desnutrição.

A desnutrição é um quadro de doenças decorrentes da falta de nutrientes, principalmente de proteínas e de calorias, que geralmente é agravado por doenças infecciosas que dificultam a adequada absorção e utilização dos nutrientes pelo organismo.

A população mais suscetível a esse à desnutrição é a infantil, pois depende diretamente da assistência de outros para se alimentar. Como consequência dessa carência alimentar, há a diminuição do ritmo e da taxa de crescimento e de ganho de peso, além do comprometimento da cognição e da aprendizagem. Situações como falta de higiene e de saneamento básico, condições impróprias e insalubres das moradias e, em decorrência disso, quadros frequentes de parasitoses intestinais e infecções somente agravam o quadro e podem elevar as taxas de mortalidade, principalmente de crianças com menos de 5 anos.

Estatísticas mundiais (portanto o Brasil está incluído) dos indicadores da fome, pobreza e desnutrição mostram que a pobreza é mais frequente que a desnutrição, e esta mais frequente que a fome.

Mas, sabe-se qual é a real dimensão do problema da fome e da desnutrição no Brasil? Estudos realizados em 1999, com o lançamento do Projeto Fome Zero pelo atual governo, mostraram que 27,8% dos brasileiros, ou seja, cerca de 45 milhões de pessoas, estavam abaixo da linha da pobreza, com predominância de 48,8% que viviam no nordeste e 17% no sudeste do nosso País.

Atualmente, esses números mudaram muito. A prevalência da desnutrição na população infantil reduziu cerca de 50% nos últimos 10 anos. Esse índice era de 13% em 1996, conforme o PNDS (Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher), caindo para 6,8% em 2006-2007. Essa queda ocorreu devido à evolução de quatro fatores básicos: o aumento da escolaridade materna, o crescimento do poder aquisitivo das famílias, a expansão dos cuidados básicos de assistência à saúde das mães e das crianças e a melhoria nas condições de higiene e saneamento da população mais pobre.

Assim, a superação do flagelo da fome e da desnutrição só continuará a ocorrer se o governo federal mantiver o crescimento econômico do País, assim como as suas políticas de redistribuição de renda e de acesso universal aos serviços de saúde, saneamento e educação.

   

 


Gisele Pontaroli Raymundo


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