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No final do século XVIII, uma importante descoberta de um médico
inglês revolucionou a luta dos homens contra doenças como a varíola.
Ele se chamava Edward Jenner e era muito observador. Vivendo no interior da
Inglaterra, Jenner notou que algumas moças que ordenhavam as vacas ficavam
com as mãos cheias de pequenas feridas que lembravam as da varíola.
Ele percebeu que havia outro tipo de varíola, mais benigno, que atacava
o gado. Ao fazer a ordenha, muitas leiteiras contraíam a doença,
mas ela não as afetava como a varíola humana, e as feridas se
concentravam apenas nas mãos.
Então, esse médico resolveu fazer um experimento: pegou um pouco
do material da ferida de uma moça que estava com a varíola bovina
e inoculou-o em um menino de 8 anos. Depois, repetiu o processo com material
da varíola humana. O garoto não desenvolveu a moléstia.
Jenner havia descoberto a grande arma da humanidade contra as doenças:
a vacina. O próprio termo vacina originou-se do latim vaccina,
que significa “vaca”.
Perturbadora em seu início, a vacinação contra a varíola
foi ganhando espaço nas políticas de prevenção das
doenças ao longo do século XIX. E também chegou ao Brasil.
A novidade foi trazida pelo futuro Barão de Barbacena, em 1804.
Durante o período do Segundo Império (1831-1889), as autoridades
começaram a exigir que todos os moradores da cidade do Rio de Janeiro
se vacinassem. Mas, assim como outras medidas imperiais relacionadas à
saúde, esta não foi levada muito a sério pela população,
e a varíola continuou atacando na capital. Entre 1870 e 1879, por exemplo,
a doença fez, apenas no Rio, 6.625 vítimas.
Pesquisa no Arquivo da Casa de Oswaldo
Cruz: Rose Oliveyra
IOC (OC) 6-67 |
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| Charge alusiva às
medidas sanitárias tomadas por Oswaldo Cruz. O texto diz: “Higiene
à muque”. |
A varíola alastrava-se com facilidade, principalmente no inverno. Seu
contágio ocorria pelo ar. Assim, a aglomeração de pessoas
em moradias pequenas e úmidas facilitava a proliferação
da doença. Debilitadas pelas condições de vida, as classes
mais carentes eram as primeiras a sucumbir à moléstia.
Tendo tido sucesso em sua campanha contra a febre amarela, Oswaldo Cruz começou
a enfrentar a varíola. Durante a transição do Império
para a República, os casos aumentaram de 6 mil para 8 mil apenas na cidade
do Rio de Janeiro.
Dos problemas de saúde pública enfrentados por nosso sanitarista,
a varíola foi o mais complicado em virtude da resistência da população
à idéia da vacina. Para conseguir seus propósitos, Oswaldo
Cruz elaborou um longo projeto de saúde pública, que englobava
vários pontos, principalmente a vacinação obrigatória.
Esse projeto foi apresentado ao Congresso Nacional e logo foi apelidado de “código
de torturas” por causa da vacina. Com o apoio do governo republicano,
a lei da vacina foi aprovada em 31 de outubro de 1904.
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