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Cidade insalubre versus presidente modernizador

Francisco de Paula Rodrigues Alves assumiu a Presidência do Brasil em 1902. Experiente político e administrador, a meta de seu governo era o saneamento da cidade do Rio de Janeiro e sua modernização. Afinal, um país que buscava o progresso e o engrandecimento exterior não podia ter uma capital insalubre.

Enciclopédia Delta
Rodrigues Alves, o presidente que queria transformar o Rio de Janeiro em uma “Paris dos Trópicos”.

Insalubre era um termo muito usado para designar algo que não era saudável. Mas de que forma uma cidade como o Rio de Janeiro podia fazer mal à saúde?

Hoje, a Cidade Maravilhosa é famosa por suas belezas naturais, praias e sol; mas nem sempre foi assim. No início do século XX, o Rio de Janeiro se caracterizava por uma grande falta de urbanização e pela constante ocorrência de epidemias. Além disso, a população aumentava de modo desordenado. Sem ter onde morar, muitas pessoas se aglomeravam nos cortiços.

Assim, Rodrigues Alves tinha um grande problema de saúde pública e social para resolver na capital da República.

O presidente modernizador não demorou a tomar providências; iniciou uma verdadeira cruzada contra a insalubridade do Rio de Janeiro, que enfrentou resistência por boa parte da população.

Rodrigues Alves não havia sido o primeiro a se preocupar com questões de saúde pública na capital do país e com a reestruturação urbana. Já ao longo do Segundo Império (1831-1889), o Estado preocupou-se com o aspecto sanitário das cidades. O próprio Dom Pedro II ficou conhecido como “o imperador da ciência”, já que investiu em estudos científicos.

Assim, ensaiadas antes, as preocupações com a saúde pública materializaram-se nas mãos de Rodrigues Alves.

Para empreender a tarefa de modificar a cidade do Rio de Janeiro, esse presidente contou com dois importantes aliados: um engenheiro e um médico sanitarista. A tarefa de ambos era transformar a capital da República em uma “Paris dos Trópicos”.

A urbanização ficou nas mãos de Francisco Pereira Passos; e as campanhas sanitaristas, nas de Oswaldo Cruz.

Iniciou-se o que popularmente ficou conhecido como o “bota–abaixo”. A cidade do Rio de Janeiro se tornou um enorme canteiro de obras. Inspirado no Barão Haussmann, Pereira Passos começou a abrir avenidas e ruas e a planejar parques e praças. O que estava no caminho era derrubado.

As antigas ruas foram substituídas por avenidas largas e iluminadas por lampiões elétricos, uma novidade vinda da Europa.

Além dos becos e ruelas, outro alvo da urbanização foram os cortiços. Estes eram vistos como espaços propícios a doenças e maus hábitos, como furtos, vadiagem e prostituição.

A ação de Pereira Passos agradou muito às classes mais abastadas. Estas queriam que o Rio fosse como uma capital européia. A moda, na época, vinha do Velho Mundo, em especial da França.

Ao mesmo tempo, o prefeito realizava o sonho dos republicanos de esquecer tudo o que lembrava a época do Império, período associado ao atraso e ao antigo. Na nova era, tudo devia ser novo, racional, organizado e limpo.

Mas, para a maior parte da população, em especial a carente, as obras significaram problemas. Por isso, as ações do prefeito foram chamadas de “bota-abaixo”. Com os cortiços do centro da cidade sendo destruídos, muitas pessoas começaram a construir pequenos barracos nas subidas dos morros que ladeavam a cidade. Assim nasceram as primeiras favelas do Rio de Janeiro.

O escritor Lima Barreto, em sua obra “Os Bruzundangas”, relatou de modo irônico que, “De uma hora para outra, a antiga cidade desapareceu e outra surgiu como se fosse obtida uma mutação de teatro”.

Além da cidade, os hábitos da população também foram colocados sob controle. Da capoeira até o ato de “cuspir” nas ruas, tudo foi severamente reprimido por meio de decretos municipais.

Essas ações foram apenas o começo. Na outra ponta da “cruzada pela modernização” estava o responsável por tornar a cidade livre das velhas epidemias: Oswaldo Cruz.

Pesquisa no Arquivo da Casa de Oswaldo Cruz: Rose Oliveyra
Oswaldo Cruz no Instituto Pasteur

Oswaldo Cruz era um sanitarista paulista que havia estudado na Europa e chegou ao Brasil com idéias novas sobre as ciências médicas. Desconhecido nos meios políticos, assumiu em 1903 o cargo de diretor do Departamento Nacional de Saúde Pública.

 

 

 

 

 

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