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Mulheres (e homens) do Brasil (e do mundo)
“Perguntamos para os homens que assistiram à fita
até agora se eles tinham vontade de ver um filme com esse
nome. Eles disseram que não. Mas, quando foi perguntado se
haviam gostado, responderam que adoraram”, conta Elisa Tolomelli,
a produtora de Mulheres do Brasil. A declaração foi
dada durante o evento de pré-lançamento do longa-metragem
para a imprensa, em Curitiba/PR (cenário de uma das histórias
do filme), no dia 13 de fevereiro de 2006. Depois da exibição,
ela e outras integrantes da equipe e do elenco conversaram com o
pessoal do portal.
O título engana, transmitindo a idéia de que se trata de um filme “para mulheres”, o que não é verdade. Ele não deixa de apresentar uma “visão feminina” da vida, mas é essencialmente um apanhado de histórias sensíveis, divertidas, bem-humoradas e carregadas de emoções com as quais todos vão se identificar. O longa-metragem se aproxima ainda mais do público ao misturar cenas com atores e depoimentos reais, um estilo de contar histórias próprio da diretora Malu de Martino, que já trabalhou em diversos documentários. E, mesmo não sendo documentário, Mulheres do Brasil funciona como um — retrata as situações sem impor direcionamentos, sem pintar este ou aquele personagem como vilão ou mocinho. Algo que, de acordo com Elisa, contribui para a verdadeira proposta do filme: promover uma troca de experiências entre pessoas de diversas realidades.
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Elisa Tolomelli, produtora
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“Na pré-estréia que fizemos em Salvador, uma das jornalistas me disse: ‘Jamais pensei que uma mulher bonita, de 40 anos, como a Bete Coelho, não tivesse emprego. Pensei que era só eu que tinha esse problema.’ Essa troca de informações é bacana. Não estamos aqui para julgar ou analisar ninguém. Gosto muito mais da idéia de que ele é um filme que simplesmente mostra para a curitibana, por exemplo, um pouco da vida da mulher que mora em Maceió ou São Paulo, e vice-versa.”
»(Clique
para ouvir) A fórmula funcionou também
em outras partes do mundo. Mulheres do Brasil participou de diversos
festivais internacionais, e sua equipe foi convidada para uma turnê
de um mês em universidades nos EUA. “Discutimos questões
como a superação, o ‘príncipe encantado’,
a desilusão amorosa, a mulher enquanto esteio de família,
a mulher de 40 anos que tem de ir para o mercado de trabalho... Enfim,
são temas que têm tudo para atravessar o Atlântico.
Dá para imaginar alguém na França ou na Suíça
se emocionando no cinema”, conta Elisa.
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Carla Daniel, atriz
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Emoção é o que não falta no filme, como explica a atriz Carla Daniel. Ela vive a personagem Martileide, que trabalha em uma cafeteria curitibana e passa as noites sonhando com um locutor de rádio de voz sedutora.
“Adoro a Martileide por ela ser totalmente intensa, e é muito gostoso poder explorar isso em um personagem, poder brincar com sentimentos tão radicais, opostos.”
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Carla não se envolveu apenas emocionalmente no filme, como também aprendeu a lidar com a máquina de café com a qual sua personagem trabalha.
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A atriz Roberta Rodriques
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O mesmo processo aconteceu com Roberta Rodrigues, que interpreta a porta-bandeira Telma.
“Nasci e cresci no morro, mas nunca cheguei realmente a fazer parte do universo do carnaval. Tinha até mesmo uma imagem muito diferente dele. Foi a Squel, porta-bandeiras da Grande Rio, que me ensinou o quanto o carnaval é levado a sério pelas pessoas que o fazem. Vivi essa luta por três meses. Todo dia, ia à escola, ensaiava sem parar, até que o personagem tomou conta de mim. Quando eu vestia a fantasia e começava a girar, não era mais a Roberta. Tanto que, nos momentos dramáticos da história, eu senti de verdade todo o desespero, a dor de temer pela escola.”
»(Clique para ouvir)
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Luana Carvalho, atriz
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Luana Carvalho também tem história para contar. Ela vive Ana, uma garota alagoana com dilemas muito parecidos com os da maioria dos estudantes brasileiros.
“A Ana ainda não aprendeu a lidar com sua liberdade, com sua sensualidade. Ela ainda está se descobrindo. Sempre teve aquela vida regrada, indo da escola para casa. E faz faculdade de Turismo em Maceió, o que determina que ela terá facilidade em se colocar no mercado. Em Maceió, o turismo não pára de crescer. Então, cursar Turismo lá é tão óbvio que ela não sabe se faz esse curso porque é óbvio ou porque ela realmente quer fazer. O que é muito comum, né? A gente entra na faculdade sem saber direito quem é e já precisa escolher o que quer fazer pro resto da vida. Eu fico feliz porque a Ana teve coragem de encarar essas dúvidas. Mesmo que ela decida continuar fazendo Turismo, pelo menos enfrentou os próprios medos e conseguiu extrair um pouco de coragem para descobrir quem realmente é.”
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Mulheres do Brasil ganhou uma edição específica
para exibição em praça pública, com censura
livre (nos cinemas, a censura foi de 16 anos). Elisa pretende usar
essa versão para promover discussões nas escolas. “O
filme tem uma quantidade enorme de temas que podemos levar para a
sala de aula. Que tal trabalhar com redações?”,
sugere. “Uma idéia legal seria pedir aos alunos que
escrevam uma continuação para as histórias”,
completa Luana. E nessa história entram também os garotos,
como explica a produtora: “O homem de antes não é
como o de hoje em dia, que não será o homem de daqui
a pouco. As relações estão mudando muito. Existe
hoje uma certa desordem nos valores, tanto do lado feminino quanto
do masculino. As coisas estão mudando muito e rapidamente.
Portanto, ver o filme e discutir tudo isso traria benefícios
também para os meninos”.
Por César Munhoz
Colaborou Ana Carolina Morello
Fotos: Divulgação |