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Carlos Lopes nasceu em Guiné-Bissau. Ele é sociólogo, Ph.D. em História pela Universidade de Paris-1 e especialista em desenvolvimento e planejamento estratégico. Iniciou a carreira nas Nações Unidas em 1988 como economista do desenvolvimento. Em junho de 2003, foi designado pelo secretário-geral da entidade, Kofi Annan, como seu representante no Brasil, que acumula também as funções de representante-residente do Pnud.

Autor ou organizador de 20 livros, Lopes já lecionou em várias universidades, como a de Lisboa, Zurique, Cidade do México, São Paulo e Rio de Janeiro. Ajudou a criar organizações não-governamentais e foi consultor da Unesco, da Sida (Autoridade Sueca para a Cooperação e Desenvolvimento), do Gret (Grupo de Pesquisa e Estudos Tecnológicos de Paris) e da Comissão Econômica das Nações Unidas para a África.

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Parâmetros do desenvolvimento global

O representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Carlos Lopes, fala ao portal sobre a colocação do Brasil no recente Relatório do Desenvolvimento Humano de 2004 e da sua proposta de tolerância cultural. O diplomata ainda alerta que a desigualdade e a pobreza estão ganhando a batalha contra a democracia.

No último dia 15 de julho, a ONU divulgou seu Relatório do Desenvolvimento Humano de 2004 e, por mais uma vez, vê-se que o progresso na qualidade de vida do brasileiro é mínimo e lento; na verdade, quase imperceptível. O documento coloca o Brasil na 72.ª colocação num ranking de 177 países submetidos à medição do Índice de Desenvolvimento Humano — IDH —, com média 0,775. O índice é calculado com base em quatro variáveis: expectativa de vida, alfabetização, taxa bruta de matrícula nos três níveis de ensino e PIB per capita. A maioria dos dados com que o relatório de 2004 trabalha é de 2002.

Como no relatório do ano passado o país figurava em 65.º lugar, logo se apontou um vilão para a queda: a defasagem na taxa de analfabetismo utilizada para a medição. A taxa usada para o cálculo do índice de 2004 foi a do Censo 2000 (13,6%), e não a mais recente (11,8%), calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — IBGE — na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios — Pnad — em 2002. A utilização dos dados da Pnad de 2002 em vez do Censo 2000 faria com que o Brasil melhorasse quatro posições no ranking, passando da 72.ª para a 68.ª colocação.

No dia seguinte à divulgação do relatório, o IBGE e a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura — Unesco — divulgaram cartas com o objetivo de isentá-los da responsabilidade pelo uso de dados defasados de alfabetização no cálculo do índice brasileiro. Sobrou até para o presidente Lula, que teve seu governo acusado de manipular os números para prejudicar a administração anterior.

Polêmicas à parte, o relatório deste ano apresenta a cultura como fator-chave para o desenvolvimento no mundo, em especial quando se mantém o respeito pela diversidade cultural. “O relatório mostra que os principais fatores de conflito não são as diferenças culturais, mas, sim, a intolerância, a exclusão e as desigualdades políticas e socioeconômicas que delas decorrem”, afirma Carlos Lopes, representante da ONU e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento — Pnud — no Brasil. É esse o órgão que tem a responsabilidade, em diversos países do mundo, de colher as informações necessárias para fazer o Relatório de Desenvolvimento e de implantar, junto aos governos locais, estratégias para que os países atinjam os Objetivos Mundiais de Desenvolvimento — OMDs.

Em entrevista ao portal, Lopes comentou os resultados do Relatório de Desenvolvimento Humano de 2004 e as deficiências do Brasil. E, baseado em outra pesquisa divulgada recentemente pelo Pnud, a qual apontou que, no Brasil, 59% dos entrevistados desconhecem o significado da palavra democracia e que outros 54% apoiariam um governo autoritário caso ele resolvesse os problemas econômicos, alertou: “A desigualdade e a pobreza estão ganhando a batalha contra a democracia”.

Como funciona o Pnud? E o escritório do Brasil?
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) é uma instituição multilateral e uma rede global presente hoje em 166 países, que age consciente de que nenhuma nação pode gerir sozinha a crescente agenda de temas do desenvolvimento.

O Pnud tem como mandato central o combate à pobreza e o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs) até 2015. Para isso, adota uma estratégia de colaboração com os governos dos diferentes países, sempre respeitando as especificidades locais. A cooperação está voltada para a promoção da governabilidade democrática e o apoio à implantação de políticas públicas e ao desenvolvimento local integrado. A utilização sustentável da energia e do meio ambiente, a disseminação da tecnologia da informação e comunicação e a luta contra o HIV/aids também integram o rol de prioridades do programa. Dependendo dos contextos nacionais, a agência pode atuar para a prevenção de crises e a recuperação de países devastados.

No Brasil, as operações do Pnud são balizadas por um Quadro de Cooperação com o País, o CCF — Country Cooperation Framework —, definido conjuntamente com o governo brasileiro. O CCF descreve estratégias e identifica objetivos e oportunidades centrais para a colaboração do Pnud, em sintonia com seu mandato. Oferece uma visão integrada dos esforços de desenvolvimento, buscando a melhor utilização dos recursos disponíveis.

Quais são as áreas prioritárias de atuação e os projetos em andamento no Brasil?
As áreas mais importantes estabelecidas no CCF são o combate à pobreza e serviços sociais, bem como reforma do Estado e meio ambiente. Nessas áreas, há cerca de 180 projetos em andamento. Alguns exemplos bem-sucedidos:

- Projetos de desenvolvimento local, que já foram implantados em 58 municípios. Trata-se de iniciativas para expandir as condições de cidadania plena e estimular a abertura de novas oportunidades socioeconômicas e políticas nas localidades com baixo IDH.

- Em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas — SEBRAE — foi implementado o Programa de Desenvolvimento de Empreendedores —EMPRETEC —, que já orientou mais de 50 mil pessoas a montarem e administrarem seus próprios negócios.

- Em parceria com o Ministério da Educação — MEC —, o Pnud apoiou a implantação do Programa Proformação, que emprega o ensino a distância e presencial para a certificação de professores leigos do Ensino Fundamental. Nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, até 2002, cerca de 23 mil professores das escolas públicas de 1,4 mil municípios já haviam concluído o curso.

- O projeto Interlegis, feito em parceria com o Congresso Nacional, atua para integrar o Poder Legislativo e torná-lo mais transparente e próximo da sociedade. Os meios utilizados são Internet, videoconferência e transmissão de dados. Mais de 1.100 Câmaras Municipais já receberam computadores e impressoras do Interlegis para se conectarem à Internet, usarem correio eletrônico e colocarem suas informações à disposição dos cidadãos. A meta é integrar 2.500 casas legislativas.

- Em parceria com o Ministério da Fazenda, o Pnud implementou, em 23 estados brasileiros, o Programa Nacional de Apoio à Administração Fiscal para os Estados Brasileiros — PNAFE —, planejado para aumentar a arrecadação por meio da racionalização do sistema e do combate às fraudes e sonegações, bem como melhorar o serviço prestado aos contribuintes.

Como é calculado o Índice de Desenvolvimento Humano? E como é feito o Relatório de Desenvolvimento Humano?
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é derivado do conceito do Desenvolvimento Humano Sustentável (DHS), que considera o desenvolvimento um fenômeno multidimensional. Assim, a dimensão econômica (crescimento econômico) é vista como um meio para se alcançar o fim: o bem-estar de todos os cidadãos e de todas as cidadãs. O IDH mede o acúmulo de bem-estar de uma população, considerando três dimensões básicas do desenvolvimento: ter uma vida longa e saudável (medida pela expectativa de vida ao nascer), ter acesso ao conhecimento (medido pela taxa de alfabetização de adultos e pela taxa de matrícula combinada nos três níveis de ensino) e ter meios para manter uma vida digna (medido pelo PIB e pela renda per capita, e é corrigido pela paridade do poder de compra da moeda nacional).

As estatísticas usadas para se proceder ao cálculo provêm de instituições internacionais (Divisão de População das Nações Unidas, Unesco e Banco Mundial). Nos Relatórios de Desenvolvimento Humano, que estão disponibilizados no portal do Pnud, é possível verificar a metodologia utilizada para o cálculo do IDH.

O que costuma puxar o Brasil para baixo no relatório de desenvolvimento?
É mais adequado falar das dimensões que contribuem para o crescimento do valor do IDH do Brasil, e isso varia de acordo com o período de tempo que se está analisando. Na última década, por exemplo, a educação foi a dimensão que mais contribuiu para o crescimento do índice no Brasil. O IDH brasileiro vem crescendo nas últimas décadas, mas como o de outros países cresce também, isso pode provocar variações da posição do Brasil no ranking.

Qual é a posição do Pnud quanto à confusão envolvendo os dados de educação no relatório deste ano?
O Pnud crê que a própria imprensa contribuiu para o esclarecimento dessa confusão ao entrevistar todos os envolvidos no assunto. Um saldo interessante a ser ressaltado foi a maior importância política dos dados sociais. Usualmente, apenas os dados econômicos recebem tanta visibilidade na imprensa. Doravante, espera-se que haja uma atenção à evolução dos indicadores, como aqueles que são usados no monitoramento das metas referentes aos Objetivos do Milênio.

O IDH já deve ser o melhor instrumento de análise das condições de vida de um país. Como dissociá-lo do cenário político?
O IDH é um dentre vários instrumentos de mensuração do desenvolvimento. É importante dar visibilidade ao conceito que o ampara, bem como aos demais indicadores úteis para o monitoramento e a avaliação do desenvolvimento em todos os níveis. A associação dos indicadores de desenvolvimento ao cenário político pode ser positiva, pois os atores deste tomam decisões sobre as políticas públicas que impactam esses índices.

O relatório deste ano aponta a cultura como chave para o desenvolvimento, em especial o respeito pela diversidade cultural. É realmente provável que, num mundo onde as diferenças estão tão acentuadas e são tidas como os principais motores de conflitos, as diferentes culturas possam coexistir? Qual é a chave para a tolerância?
O relatório mostra que os principais fatores de conflito não são as diferenças culturais, mas, sim, a intolerância, a exclusão e as desigualdades políticas e socioeconômicas que delas decorrem. Mesmo o acirramento das identidades pode ser, freqüentemente, resposta à insegurança que as desigualdades provocam sobre os grupos discriminados. A chave para a tolerância é exatamente a combinação de políticas multiculturais, desde uma educação inclusiva, passando por medidas que assegurem a representação política daqueles grupos, até programas que garantam o acesso a recursos e oportunidades para o desenvolvimento humano.

E qual é o parâmetro para o respeito a essa diversidade? No caso dos véus nas escolas da França, o que vem primeiro: o laicismo ou a liberdade de credo? O estado tem o direito de intervir no caso de a família não querer que uma menina estude, por exemplo?
Bons parâmetros são os direitos humanos. No caso da França, não deveria ter havido conflito entre laicismo e liberdade de credo. Se as escolas são uma esfera pública, quaisquer pessoas poderiam freqüentá-las com símbolos e indumentárias próprias de suas respectivas crenças. Respeito à diversidade é isso. Outra coisa muito diferente é imaginar uma escola pública com ensino e símbolos religiosos promovendo a religião dominante. Aí seria ferir o ideal republicano do laicismo.

Quanto ao caso de uma família se recusar a deixar uma filha estudar, aí é preciso separar a liberdade de prover a educação fundamental da maneira que se julgar mais conveniente. Razões filosóficas ou pedagógicas podem levar uma família a querer contratar uma educadora para ensinar seus filhos e filhas em casa se não quiser enviá-los a uma escola pública ou particular; outra coisa muito diferente é se a família tomar a decisão de impedir que as meninas estudem. No caso brasileiro, o Estatuto dos Direitos da Criança e do Adolescente é um instrumento avançado de proteção aos direitos dos meninos e das meninas. Educação é um deles. As escolhas da família não podem colidir com os direitos fundamentais das crianças.

O Brasil seria um bom exemplo de coexistência de diversidade cultural e desenvolvimento? É correto afirmar que, mesmo com os problemas do país, as diferenças nesse sentido não são um fator de atraso?
A pergunta sugere que as diferenças culturais possam ser fator de atraso. O relatório vê as diferenças culturais como propiciadoras do desenvolvimento e não como entrave. Autores do final do século XIX e do século XX supunham existir uma correlação entre o progresso industrial que os EUA e alguns países da Europa exibiam e a mentalidade de matriz protestante. O Brasil também era visto como inviável, em razão, sobretudo, da enorme presença de afrodescendentes. Idéias e posições de determinismo geográfico e cultural não se sustentam empiricamente nem teoricamente. Não obstante essas teses não terem fundamento científico, certos círculos conservadores as retomaram, apesar dos riscos de confronto imanentes às medidas de intolerância, bem como aos projetos de superioridade cultural.

É possível afirmar que grande parte dos problemas do país decorre exatamente da ausência de políticas multiculturais que possam alavancar o desenvolvimento humano, sobretudo da população negra e indígena. A atualidade do relatório é inegável.

Na introdução do relatório deste ano, existe uma ressalva dizendo que o assunto desenvolvimento humano é, normalmente, negligenciado pelos economistas do desenvolvimento. O embate social versus economia parece ser um dos principais motes e desafios políticos atuais. Como chegar a um equilíbrio dessa equação?
Essa é uma das principais contribuições que o paradigma do desenvolvimento humano traz para o debate sobre o assunto. Ao colocar o ser humano no centro do processo de desenvolvimento e afirmar que ele é a razão de ser do próprio desenvolvimento, fica claro que a geração de riqueza não é um fim em si, mas um meio para se alcançar o bem-estar. Desenvolvimento humano não é a construção de capital humano como insumo para a produção econômica. Ele é o aumento de capacidades e oportunidades para as pessoas, incluindo-as no processo de tomada de decisões que afetam sua vida; é o desenvolvimento para os indivíduos ou a repartição equânime de seu resultado. Atendendo a esses princípios, é possível buscar um equilíbrio entre as dimensões econômica e social do processo do desenvolvimento.

Quão longe estamos dos objetivos de desenvolvimento do milênio? E como está o Brasil nesse quadro?
A despeito dos avanços inéditos obtidos na segunda metade do século XX, o mundo ainda enfrenta maciças carências de desenvolvimento humano. O número de pessoas subnutridas chegava, no ano 2000, a 831 milhões. Em 2002, 11 milhões de crianças morreram antes de completarem um ano de vida. Atualmente, 1,1 bilhão de pessoas vivem com menos de US$ 1 por dia, o que caracteriza pobreza extrema; 1,197 bilhão de pessoas não têm acesso à água potável; 2,742 bilhões vivem em domicílios sem saneamento básico; e 104 milhões de crianças estão fora da escola primária (59 milhões são do sexo feminino). Os resultados têm sido muito desiguais, com rápidos avanços em alguns casos, mas com retrocessos em um número sem precedentes de países. O mundo mostrado pelo relatório pode ser dividido em dois: o dos países que têm conseguido se beneficiar do desenvolvimento e o daqueles que ficaram para trás.

Há, contudo, desempenhos notáveis: as regiões do Extremo Oriente e do Pacífico estão no ritmo certo para atingir, dentro do prazo, todas as metas para as quais há dados disponíveis. O número de pessoas vivendo com menos de US$ 1 por dia nessas regiões caiu praticamente à metade na década de 1990. Na mesma linha de progressos, o sul da Ásia mantém um ritmo acelerado de conquistas na maior parte dos objetivos, com destaque para a redução da pobreza, acesso à água potável para seus cidadãos e promoção da igualdade entre os sexos. Seu ponto fraco é a diminuição da proporção de pessoas que passam fome.

A região em situação mais crítica é a África subsaariana: 45 países em um território que vai do Senegal (norte) até a África do Sul. Lá, as projeções indicam que Ensino Fundamental para todas as crianças não deve ser atingido antes de 2129 e que a redução em dois terços da mortalidade infantil só será alcançada em 2016. Em outras palavras, no ritmo atual, vai se levar um século para atingir o que os Objetivos do Milênio estabeleceram para uma década. Pior ainda é o quadro da fome, da redução da pobreza e do acesso ao saneamento básico. Nem é possível fixar uma meta numérica, pois a situação nesses campos vem piorando ao invés de melhorar.

O conjunto de 33 países da América Latina e Caribe vem conseguindo se manter no passo para alcançar a maior parte dos ODM, notadamente a redução da fome e da mortalidade infantil e o acesso universal ao ensino primário. Mas os países do continente estão tendo um desempenho abaixo do necessário para se atingir as metas no prazo em saneamento básico e na diminuição do percentual de sua população que vive com menos de US$ 1 por dia.

Deixando-se de lado as médias regionais, os retrocessos são ainda mais trágicos. Ao longo da década de 1990, um número sem precedentes de países retrocedeu em vários aspectos do desenvolvimento humano: em 46 países, as pessoas estão mais pobres hoje do que estavam em 1990, e em 25 países, há mais pessoas passando fome atualmente do que há uma década.

Outra pesquisa divulgada pelo Pnud recentemente diz respeito à democracia. Pelos números divulgados, mais da metade da população brasileira nem sabe o que essa palavra quer dizer. O quão preocupante é esse quadro?
De acordo com os números divulgados, mais de 50% da população latino-americana preferiria um regime autoritário se, com isso, fosse possível atingir uma melhora econômica que diminuísse as desigualdades. É muito preocupante, pois significa que a desigualdade e a pobreza estão ganhando a batalha contra a democracia, uma conquista ainda frágil e recente no continente. Há uma percepção, por parte de uma significativa parcela da sociedade da América Latina, de que o maior problema da região, ou seja, a pobreza, não está sendo priorizado, e de que a democracia representativa não está logrando sucesso no seu enfrentamento. A persistência desse quadro sugere um aumento da vulnerabilidade da democracia em relação ao risco de recaídas populistas e/ou autoritárias.

Na medida em que as jovens democracias do continente não enfrentarem efetivamente os desafios da pobreza, do crescimento e da redistribuição de renda, as possibilidades de retrocesso podem ser recolocadas. A situação de países como Bolívia, Equador, Venezuela, Paraguai, entre outros, mostra isso. A boa notícia, no entanto, é que nesses casos ainda não houve uma ruptura que tenha levado ao retorno de regimes ditatoriais.

Por Diogo Dreyer da Silva.

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