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Mosiah Rodrigues, 22 anos, é um dos mais destacados ginastas da atualidade. Ao lado de Diego Hypólito e Michel Conceição, ele forma o trio brasileiro da ginástica olímpica masculina, que está revolucionando a modalidade no país. Mosiah é o único brasileiro que vai representar a ginástica masculina em Atenas.
 

“Ginasta Olímpico”

Mosiah Rodrigues é, ao lado de Diego Hypólito e Michel Conceição, um dos mais destacados ginastas brasileiros da atualidade e será o único homem a representar a ginástica masculina do país em Atenas.

A ginástica artística virou um esporte muito popular nos últimos anos graças ao sucesso de Daiane dos Santos e Daniele Hypolito que mostraram ao Brasil uma boa safra de ginastas. Todo esse esforço foi coroado agora que, pela primeira vez, o país conseguiu uma vaga para uma equipe em uma Olimpíada. Mas esse é o caso masculino. Não menos aplicados, a ginástica masculina só conseguiu classificar um único representante para ir à Grécia.

E essa honra cabe ao gaúcho Mosiah Rodrigues, de 22 anos, 45º colocado geral na classificação individual do Mundial de Anaheim, no Canadá, no ano passado. Essa performance valeu a vaga em Atenas. No Pan-Americano de Santo Domingo, Mosiah foi bronze no salto sobre o cavalo e nas barras fixas.

Confira, a seguir, a entrevista que Mosiah concedeu ao Positivo, ao visitar o Colégio no dia 22 de maio, por ocasião das Olimpíadas Positivo.

Você é o único representante da ginástica masculina que vai para as Olimpíadas de Atenas. Você conseguiu a vaga em apenas um aparelho?
Não. Como a ginástica olímpica é formada por seis aparelhos, eu poderia até ser especialista em um ou dois deles, mas isso não me levaria às Olimpíadas. Para garantir a vaga, eu precisei me sair bem em todos eles.

E qual é sua especialidade?
Eu faço os seis aparelhos. Na Copa do Mundo, ganhei a medalha de prata no cavalo. Minhas preferências são o cavalo e a barra.

Como está sendo sua preparação para Atenas?
Estou com a mesma carga horária de treinos do ano passado, quando me preparei para os Jogos Pan-Americanos e o Mundial Pré-Olímpico. Estamos continuando esse trabalho para podermos competir com qualidade. A idéia é alcançarmos um bom resultado.

A cobrança ficou maior agora que você está obtendo destaque em competições internacionais?
A cobrança aumentou, com certeza, mas isso é conseqüência dos resultados, do trabalho e de todo o treinamento, não há como evitar. Não vou deixar de ir para as Olimpíadas por me sentir pressionado. Isso não atrapalha, ao contrário: quando estávamos competindo na Copa do Mundo do Rio de Janeiro, o público lotou os ginásios e foi aí que sentimos nossa responsabilidade, mas a motivação ficou ainda maior, e isso é muito bom.

O apoio da torcida foi muito importante naquele Mundial?
Sim, foi muito legal ver todo mundo torcendo. Eu achei que ficaria mais nervoso ao ver a torcida, fiquei com medo de errar, mas deu tudo certo e ficamos muito mais motivados. Foi legal mesmo.

Você treina todos os dias?
Sim, duas vezes por dia, o que totaliza sete horas de treino, isso sem contar a fisioterapia “extratreino” (risos).

É preciso uma boa dose de sacrifícios para atingir esses resultados?
Pois é, mas eu encaro isso como qualquer outro trabalho. Se você quer ser doutor em alguma coisa, precisa estudar muito. No esporte, é a mesma coisa: se você quiser ir para uma Olimpíada, como é o meu caso, tem de treinar muito; do contrário, não vai conseguir (risos).

Numa fase da vida em que os jovens da sua idade estão curtindo festas e outras atividades, você não se sente incomodado por estar dedicando-se exclusivamente à ginástica olímpica?
Hoje, por exemplo, eu já sei que tudo o que fiz até agora valeu a pena, pois estou classificado para uma Olimpíada, que era um objetivo que eu queria muito conquistar. E é claro que, aos 14 anos, eu passei por essa fase de não querer passar o dia inteiro no ginásio, pois sabia que meus amigos estavam saindo, indo ao shopping, jogando bola, e eu só treinando. Mas sempre me lembro de que treino por um objetivo grande, que é representar nosso país. É muito recompensador.

É algo de valor inestimável...
É isso. Por mais dinheiro que alguém possa ter, uma vaga olímpica é algo que não se pode comprar. Eu não fui escolhido ao acaso, batalhei muito no Pré-Olímpico para garantir a minha vaga. É o resultado da minha dedicação.

E essa vaga olímpica melhorou sua projeção na mídia, em termos de visibilidade e patrocínio?
Melhorou sim, para a equipe toda, que está alcançando excelentes resultados. Patrocínio ainda é muito difícil: quem tem está com um respaldo muito grande mesmo. Até aparecem alguns patrocínios, mas ainda é muito difícil conseguir um realmente bom, de alguém que apóie e acredite mesmo no esporte.

Na sua opinião, o que falta para o Brasil atingir resultados ainda melhores é apoio nas categorias de base e maior patrocínio aos atletas?
Falta apoio, não só do governo, mas de empresas de todos os tipos, privadas e públicas. Hoje, a equipe principal conta com o apoio do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), com a verba. Mas há atletas treinando em vários lugares do Brasil que não têm apoio nenhum, só estão insistindo e praticando porque gostam muito da ginástica e querem que o esporte continue a crescer. Mas para que ela permaneça com esses resultados, com certeza é necessário maior investimento, como em ginásios escolares, por exemplo. Sei que é difícil investir em ginásios de ginástica olímpica, porque os aparelhos são muito caros, mas uma união de empresas poderia conseguir montar estruturas adequadas para as categorias de base.

Você tem algum contrato de patrocínio?
Não, estou sem patrocinador; só a equipe de ginástica masculina conta com patrocínio. É uma dificuldade, estamos sempre atrás de algum apoio. Desde o ano passado, depois do Pan-Americano, comecei realmente a procurar um patrocínio, porque eu ainda queria ir buscar a vaga para as Olimpíadas. Não consegui patrocinador, mas mesmo assim a conquistei (risos). Agora, estou preparando-me para enfrentar os Jogos Olímpicos, uma fase em que precisamos de patrocínio para várias coisas: equipamentos, viagens, etc. O retorno para o patrocinador é muito grande, ainda mais que a ginástica está em evidência. É um momento muito bom para a ginástica do Brasil. É hora de aproveitar (risos)!

Por Ana Paula Villa

 

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