|
“Conquista inédita”
Mais uma atleta brasileira entra para a história dos Jogos Olímpicos.
A catarinense Fabiana Beltrame ganhou, no Pré-Olímpico de El Salvador,
a vaga para Atenas 2004 no remo e tornou-se a primeira brasileira da história
a disputar as Olimpíadas nessa modalidade esportiva.
Com toda certeza, o dia 16 de maio de 2004 ficará para sempre na memória
da atleta da equipe brasileira de remo Fabiana Beltrame. É que, nessa
data, ela garantiu a classificação para os Jogos Olímpicos
de Atenas, sendo também a primeira brasileira da história a participar
das competições de remo em Olimpíadas. A classificação
foi conquistada durante o Pré-Olímpico Latino-Americano, disputado
em El Salvador. Fabiana ficou em terceiro lugar na categoria single skiff,
ficando atrás somente dos barcos mexicano e chileno, que também
garantiram suas vagas.
Classificação assegurada, a remadora de Florianópolis
(SC) — que em 2002 recebeu do Comitê Olímpico Brasileiro
(COB) o prêmio Brasil Olímpico, dado aos atletas que mais se destacaram
em suas modalidades — faz planos para o futuro e conta quais são
suas expectativas para as Olimpíadas.
Você será a primeira mulher da história a representar
o Brasil em uma Olimpíada na modalidade do remo. A que você atribui
esse feito?
Principalmente a mim (risos), pela dedicação que eu tenho
ao remo. Também ao meu técnico, que sempre me apoiou, dizendo
que eu ia conseguir.
Quais foram as principais dificuldades que você enfrentou para alcançar
essa inédita classificação?
O remo é um esporte que, no Brasil, é bem carente de apoio. Principalmente
aqui em Florianópolis, ele não tem divulgação nem
patrocínio. Então, acabamos ficando desanimados porque não
temos apoio de empresas ou do governo.
Há quanto tempo você compete e como começou sua ligação
com o remo?
Eu comecei a praticar o remo aos 15 anos; hoje, estou com 22. Já na primeira
competição, eu me apaixonei por esse esporte e vi que era isso
que queria. A partir daquele momento, eu queria conseguir mais, meus objetivos
começaram a crescer. No começo, eu via o pessoal da equipe de
remo aqui de Florianópolis treinando e, como morava perto, fiquei curiosa
para praticar o esporte, mas não para competir. Mas, com o tempo, fui
envolvendo-me cada vez mais com o remo, e as conseqüências disso
foram as competições, das quais participo até hoje.
Qual é sua expectativa para as Olimpíadas de Atenas?
Vou tentar ter uma boa participação, mas, como o remo brasileiro
é um pouco defasado em relação a outros países,
acredito que qualquer resultado que vier vai ser considerado bom, uma vez que
essa classificação foi inédita. Independentemente disso,
vou fazer o máximo em Atenas para obter uma boa classificação
e, quem sabe, tentar melhorar para as próximas Olimpíadas.
Na sua opinião, quais são suas chances de trazer uma medalha
para o Brasil?
Pra ser sincera, as chances são mínimas, no feminino ainda menos
que no masculino. Aqui no Brasil o remo feminino é relativamente novo,
então, em relação à outros países, é
bem difícil conseguir uma medalha, tanto no masculino quanto no feminino.
Só o fato de termos conseguido a classificação já
pode ser considerado uma vitória.
Como é sua preparação antes de uma competição
importante como as Olimpíadas, por exemplo?
Eu treino duas vezes por dia, durante aproximadamente cinco horas. A maior parte
do treinamento é feita na água, mas também treino musculação,
a parte física, velocidade, força, etc. É um treinamento
bem pesado, ainda mais agora, já que estamos visando uma competição
tão importante como as Olimpíadas.
Você considera essa classificação para Atenas a principal
conquista de sua carreira?
Com toda certeza. De todas as conquistas que tive até agora em minha
carreira, essa classificação para as Olimpíadas foi a que
teve um sabor especial.
Por Guilherme Prendin
*****

|