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“Um Sonho não muito distante”
Diego Hypólito, 17 anos, é um dos mais destacados ginastas
masculinos da atualidade. Ao lado de Mosiah Rodrigues e Michel Conceição,
ele forma o trio brasileiro da Ginástica Olímpica Masculina que
está revolucionando a modalidade no país. Mesmo não estando
classificado para participar das Olimpíadas de Atenas, Diego não
perde a garra e acredita que esse não é um sonho distante.
Juntamente com Daiane dos Santos e Daniele Hypólito (sua irmã),
Diego é uma das promessas brasileiras em competições internacionais,
tendo alcançado medalhas em Jogos Pan-americanos e Copas do Mundo de
Ginástica. Aliás, antes dele, nunca um ginasta brasileiro havia
ganhado uma medalha de ouro em uma etapa da Copa.
Confira, a seguir, a entrevista que Diego concedeu ao Positivo, ao visitar
o Colégio, no dia 22 de maio, por ocasião das Olimpíadas
Positivo.
Você e sua irmã são um exemplo de determinação
e amor pelo esporte. A que você atribui esse sucesso?
Muitas pessoas não acreditavam que nós éramos irmãos,
até porque viam a Dani alcançando aqueles resultados fabulosos
e aquele pequenininho ali se jogando sempre por perto, mas, enfim, chegou um
momento em que os dois obtiveram resultados muito bons. Meu irmão é
treinador de Ginástica também, daí realmente eu não
sei se é genético, ou o que é, pois é muito interessante
ter dois atletas na mesma família, praticando o mesmo esporte e obtendo
resultados tão bons.
Toda a família está envolvida com o esporte?
Exatamente. Toda a minha família é envolvida com a Ginástica
Olímpica. A minha própria mãe e o meu pai se interessam.
É claro que eles têm os trabalhos deles, mas mesmo assim eles estão
sempre ali, nos apoiando. Sem dúvida, os pais são super positivos
na nossa carreira, porque se o pai e a mãe não apóiam é
um pouquinho difícil para o atleta seguir em frente.
Mas foi o teu irmão quem começou na carreira, uma vez que
ele é treinador ou foi a sua irmã?
Não, a Daniele que começou tudo. Eu não gostava de Ginástica
Olímpica. Eu comecei quatro anos depois e por insistência dela,
porque eu não gostava. Até que um dia eu resolvi entrar e no mesmo
dia meu irmão foi junto e a gente começou. Só que o meu
irmão, depois de uma certa idade, não quis mais fazer. Ele preferiu
ser treinador e se interessou mais por ser técnico e foi assim, a Dani
obtendo os resultados dela e eu sempre um pouquinho atrás. Até
que eu consegui alcançar um certo destaque e as pessoas começaram
a me reconhecer um pouquinho, notaram que também sou um bom atleta. De
início todo mundo pensava: "por ser irmão, não pode
ser bom"...
Você sentiu essa pressão por ser irmão da Daniele Hypólito?
Não, até porque eu sou relativamente muito novo. Tenho 17 anos
e sei que terei muitas Olimpíadas e muitos campeonatos pela frente. A
medalha de ouro que eu conquistei no Rio de Janeiro é só mais
uma experiência, mas tenho consciência de que este resultado que
deu valor à Ginástica Olímpica do Brasil. Só por
estar ajudando a fazer crescer esse esporte, é muito interessante e emocionante
para mim. Muitas pessoas me falavam que eu tinha que ser bom, por ser irmão
da Daniele Hypólito, porque senão seria apenas mais um. Só
que não foi isso que aconteceu, ainda bem (risos).
E você estava com quantos anos quando começou a praticar a
Ginástica?
Eu comecei com 7 anos. Há 10 anos eu pratico a Ginástica e realmente
é um esporte que você tem que gostar, porque se você não
gosta é difícil de praticar. São 7 horas de treino por
dia e a cobrança é muito grande, em todos os sentidos. O que mais
ajuda é a família, por isso é que eu disse que se a família
não apóia é difícil, o atleta não consegue.
Você começou muito cedo. É essa a idade ideal para começar
a praticar a Ginástica Olímpica?
Geralmente muitas pessoas começam mais cedo, a partir dos 5 anos, mas
isso depende muito do atleta, depende do esforço. Não tem muito
isso de idade para quem não pretende competir.
E vocês estão treinando em Curitiba agora?
Sim, nós treinamos no Centro de Capacitação Esportiva,
a antiga Universidade do Esporte. Lá fica a Seleção de
Ginástica Olímpica, tanto a Masculina como a Feminina.
Mas vocês pretendem voltar para o Rio de Janeiro?
Não, isso não é nada definido. Onde a Seleção
estiver, nós estaremos juntos. Se for no Rio de Janeiro, se for em Curitiba,
nós estaremos sempre onde estiver a Seleção.
O título que você ganhou recentemente no Rio de Janeiro foi
uma conquista para a Ginástica Masculina do Brasil?
Sem dúvida, eu vinha obtendo resultados muito bons. Eu fui o 1.º
finalista de um Mundial, logo em seguida tive medalha nos Jogos Pan-americanos,
aí eu estive em outra final em Mundial e agora que eu conquistei essa
medalha. Foi uma vitória não só para mim, mas para todo
o povo brasileiro, porque a nossa equipe vinha lutando demais, tínhamos
os resultados femininos, mas ninguém esperava um resultado masculino.
Até porque tinha a Daiane e tinha a Daniele, as duas atletas com mais
chances de medalhas... acho que não estavam esperando uma medalha masculina,
então foi uma vitória minha e também uma vitória
brasileira.
Quebrou uma barreira?
Sem dúvida, acho que ninguém esperava uma medalha dessas. É
muito difícil, até porque o ginasta masculino começa a
se desenvolver na faixa dos 24, 25 anos, aí é que ele começa
a se destacar. Eu tenho 17 anos e acho que isso surpreendeu muita gente.
E agora você está se preparando para alguma competição
de destaque, como as Olimpíadas ou algum Mundial?
A Ginástica Olímpica Masculina não se classificou por equipe
para as Olimpíadas de Atenas, apenas o Mosiah Rodrigues conseguiu uma
vaga individual. Mas acredito que ainda terei chances em outras Olimpíadas,
não fiquei abatido por isso. Agora é treinar cada vez mais para
obter resultados ainda melhores.
E como você trabalha a sua cabeça, pois a Ginástica
é um esporte cuja cobrança é muito grande...
...É verdade, uma hora você está no topo e na outra está
por baixo. E isso acontece, o atleta tem que manter a tranqüilidade, não
dá para se sentir obrigado a ganhar todas as competições.
Não é por aí, têm muitos atletas muito bons e de
níveis altíssimos. Eu fiz a minha melhor série naquela
hora, sabe? Então eu vou lutar para conseguir fazer uma série
assim, como eu fiz na competição no Rio de Janeiro, mas sei que
não é sempre assim. Isso é algo que o atleta tem sempre
em mente, que nem sempre estará no topo.
Para quem tem interesse em praticar a Ginástica Olímpica somente
como esporte, sem cunho competitivo, quais conselhos você daria?
Eu acho que tem que procurar se informar muito bem sobre o esporte. Existem
muitas academias que oferecem a Ginástica Feminina e não a Masculina.
Então, se você se interessa, tem que ter também um incentivo
para que os meninos possam praticar a Ginástica. O apoio dos pais e da
família em geral é muito legal e super importante para o caso
de você decidir competir para valer. Para quem quer ser atleta, existe
o problema do patrocínio e da falta de clubes que ofereçam a modalidade.
Achei muito importante esse convite que o Positivo fez aos atletas para que
visitássemos a estrutura do Colégio, isso é também
um incentivo às categorias de base do esporte. Acho que a Ginástica
só tende a crescer. Antes não havia resultados, mas agora muitas
crianças podem até se interessar pelo esporte, por mim, pelo Mosiah
Rodrigues, pelo Michel Conceição, entre outros nomes que estão
se destacando. Eu acho que isso só fará a Ginástica crescer
no Brasil.
Formar categorias de base é imprescindível para a continuidade
dos excelentes resultados alcançados?
Sim, tem que começar a fortalecer as categorias de base para formar novas
equipes no futuro. Nós temos uma ótima equipe feminina e a equipe
masculina, que infelizmente, não se classificou para a Olimpíada.
Mas na próxima, teremos mais chances, por isso é legal ir reforçando
quem está apenas começando para que a Ginástica se desenvolva
cada vez mais.
E após a sua conquista, melhorou em termos de patrocínio para
vocês?
Eu acho que isso também tenderá a crescer. Espero ainda receber
mais apoio. Eu tenho meus patrocínios individuais. Acima de tudo, o atleta
Diego tem uma base por fora, que é o meu treinador, o Renato Araújo,
tem os treinadores da Seleção, o Leonardo Pinto, o Wiatslav Asimov,
tem a fisioterapia, tem tudo...
(nesse momento, os alunos do Positivo interrompem a entrevista, para cantar,
em coro o nome de Diego).
Esse reconhecimento acontece com mais freqüência agora?
Eu acho que o carinho do público brasileiro é muito bom, muitas
pessoas falando o meu nome é algo que me emociona, eu nunca tinha passado
por essa experiência até vencer o Mundial. É bem legal o
meu trabalho estar sendo reconhecido. Fico honrado. Isso é muito gratificante.
Por Ana Paula Villa
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