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A professora Vera Costa Gissoni é a coordenadora nacional da Rede PEA-Unesco desde 1996. Sob sua administração, o número de escolas associadas cresceu de 27 para 254.

 

Escolas pela paz

Promover a paz por meio da educação. Esse é o propósito do Programa de Escolas Associadas (PEA) da UNESCO, que atua no mundo todo e oferece condições para que professores tenham a possibilidade de participar de projetos que transformem a escola em um lugar privilegiado para a promoção da educação orientada à tolerância, ao diálogo e à coexistência pacífica.

Um globo, uma pomba, o Sol, jovens e um livro. Essa imagem é o símbolo que traduz exatamente o objetivo da Rede PEA-UNESCO: fortalecer o papel da educação na promoção da cultura de paz e tolerância no mundo. A iniciativa surgiu em 1953 por meio de redes educativas internacionais. Atualmente, a Rede conta com mais de 7 mil escolas em 175 países — todas elas engajadas na promoção dos ideais da UNESCO. No Brasil, ela atua desde 1976 e, hoje, atende 254 escolas particulares e públicas.

Os projetos desenvolvidos pelo PEA-UNESCO permitem às escolas participantes utilizar as inovações para promover o desenvolvimento e a melhoria de seu conteúdo com base em cultura de paz, direitos humanos e democracia; proteção ao meio ambiente e aprendizagem intercultural. Ou seja, temas bastante apropriados para a situação brasileira atual.

À frente do PEA-UNESCO no Brasil desde 1996, a professora Vera Costa Gissoni falou ao portal sobre o funcionamento da Rede e de experiências que estão mudando a realidade de diversas escolas brasileiras.

Em que data a Rede PEA-UNESCO chegou ao Brasil e quando você começou sua gestão?
A Rede chegou ao Brasil em dezembro de 1976. Minha gestão teve início em 1996, quando havia 27 escolas associadas.
Atualmente, existem, no país, 254 escolas associadas, entre públicas e privadas.

Houve resistência a essa forma de associação entre escolas públicas e privadas?
Não encontramos resistências significativas que pudessem impedir essa forma de associação, mas, sim, algumas com relação ao cumprimento de determinadas exigências feitas pela Coordenação Internacional. Por exemplo: limitar, na época, a participação às escolas de Educação Básica.

Atualmente, como as escolas fazem para se associar à Rede PEA-UNESCO?
A escola candidata precisa apresentar um projeto que esteja relacionado aos temas propostos pelo PEA-UNESCO (voluntariado, água, etc.). Se ele for aprovado pela Coordenação Internacional, ela recebe um certificado de escola associada.

A escola precisa pagar por essa certificação ou recebe algum subsídio da UNESCO por ser uma escola associada?
É um trabalho voluntário. Os recursos financeiros vêm da própria escola ou são obtidos externamente por ela por meio de parcerias. Para outros recursos, principalmente os didático-pedagógicos e editoriais, podem contar com os subsídios da UNESCO.

É verdade que não estão sendo aceitas novas inscrições de escolas? Por que isso acontece?
É verdade. Mas essa é uma situação temporária. Estamos esperando até que haja um equilíbrio entre o número de escolas públicas e particulares. Além disso, a Coordenação Internacional recomenda que exista também um equilíbrio por região/país.
Acreditamos que, brevemente, a abertura para novas inscrições esteja liberada no Brasil.

Por que é importante associar uma escola à Rede PEA-UNESCO?
O PEA-UNESCO foi criado para converter idéias em ações concretas que visem ao fortalecimento do papel da educação na promoção de uma cultura de paz e tolerância.
As escolas associadas recebem toda orientação para trabalhar e intercambiar, no dia-a-dia, experiências bem-sucedidas na promoção de uma cultura de paz e tolerância em sua comunidade, cidade, estado, região, país, continente, enfim, no mundo.

Quais são os pilares que sustentam a Rede e como eles contribuem para a prática pedagógica de cada escola associada?
O PEA se sustenta em quatro pilares: aprender a ser, aprender a conhecer, aprender a fazer e aprender a viver com os outros.
As escolas associadas incorporam esses pilares ao seu projeto político-pedagógico como princípios inspiradores e norteadores do currículo. A comunidade escolar passa a vivenciar, no cotidiano, experiências planejadas e desenvolvidas com base nesses princípios.

Vivemos num país muito rico em termos de cultura e diversidade. Como é coordenar e integrar o trabalho em regiões com características tão diferentes?
É extremamente gratificante observar o empenho de todas as escolas associadas frente ao desafio de implantar uma cultura de paz entre os jovens. A variedade dos projetos desenvolvidos mostra a pujante riqueza do nosso país e a incomparável criatividade de nossos professores. É muito honroso e enriquecedor o privilégio de coordenar esse grupo de escolas.
A proposta da Rede PEA-UNESCO é muito importante num país que apresenta índices tão desfavoráveis de desenvolvimento, principalmente na área da educação, e acentuada desigualdade social.

Em agosto, ocorreu uma reunião da Rede PEA-UNESCO na Nova Zelândia. Qual foi a mensagem que o Brasil transmitiu às escolas associadas de todo o mundo?
Na Nova Zelândia, o Brasil demonstrou que está preocupado em construir uma educação de qualidade e voltada para a paz.
Durante o planejamento para o trabalho na América Latina, o Brasil discutiu a questão da fome. E, dessa discussão, surgiu a proposta de se implantar, a partir de 2004, o plano piloto do projeto desenvolvido pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação): “Alimentar a mente para combater a fome”.
No 10.° Encontro Nacional, que acontecerá nos dias 23 e 24 de outubro de 2003, no Rio de Janeiro (RJ), William Clay, representante da FAO, vai apresentar detalhes de como esse projeto será desenvolvido no Brasil.

O que é o Sino da Paz?
Feito de projéteis e balas fundidos, de diversos calibres, o sino está em exposição permanente na Coordenação Nacional da Rede PEA-UNESCO Brasil, no Rio de Janeiro (RJ). Nas solenidades organizadas para promover a paz, cada participante é convidado a badalar esse sino, num gesto que simbolicamente representa o despertar para a paz interior a fim de que ela ecoe no coração dos seres humanos assim como o som do sino se propaga.

Sino da Paz

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Por Diogo Dreyer


   


         
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