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Maria Helena Guimarães de Castro é a atual secretária-executiva do MEC. É professora licenciada do Departamento de Ciência Política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Presidiu, por sete anos, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão responsável pela realização do Exame Nacional de Cursos, o Provão. Também já esteve à frente da Secretaria de Educação de Campinas/SP e da União de Dirigentes Municipais de Educação (Undime).
 
 

Provão tipo exportação

Em entrevista à Agência PontoEdu, Maria Helena Guimarães, nova secretária-executiva do MEC, comenta a expansão internacional do Exame Nacional de Cursos, o Provão. Para ela, além de inovador em sua metodologia, o exame tem se mostrado eficaz na melhoria da qualidade do Ensino Superior. "Os efeitos pedagógicos são imediatos na sala de aula", diz.

Seis anos após ser criado, o Provão já foi tão popularizado que é raro ouvir alguém chamá-lo por seu verdadeiro nome, Exame Nacional de Cursos. Em 2002, além de avaliar o desempenho dos formandos brasileiros de 24 áreas diferentes, o Provão deve ser exportado para Colômbia, Venezuela e Peru. O exame também será aplicado pela primeira vez nos Estados Unidos em formandos de Administração.

Essas informações são da nova secretária-executiva do Ministério da Educação (MEC), Maria Helena Guimarães de Castro. Na última semana de abril, Maria Helena foi nomeada pelo Ministro da Educação para o segundo cargo mais importante na hierarquia do MEC, após coordenar todo o sistema federal de avaliação educacional como presidente do Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais (Inep). Segundo Maria Helena, o Provão é inovador na sua metodologia e nos efeitos que produz nas instituições de Ensino Superior.

"Dias depois que o curso de Odontologia da Unicamp recebeu nota D, o reitor da universidade veio ter com o ministro Paulo Renato Souza para dizer que não aceitava essa nota para o curso mais caro da Unicamp. O Conselho Universitário da Unicamp estabeleceu um prazo de três anos para o curso melhorar de rendimento. Resultado: em 2001, o curso tirou nota A", conta.

Ainda de acordo com Maria Helena, o "sucesso" do exame pode ser medido no percentual de boicote de estudantes, que caiu para 1,7% em todo o País. Outro indicador da aceitação do Provão seria o número de acessos à página na Internet do Inep (www.inep.gov.br) em época de vestibular. "Os alunos querem saber que notas tiraram os cursos e causam picos de consultas à nossa página", afirma a secretária.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

Recentemente, a senhora participou de uma reunião promovida pelo Banco Mundial sobre educação, em Amsterdã. O que foi discutido nessa reunião?
Foi uma reunião que deu seguimento ao Fórum de Dakar (realizado em 2000) com países que apresentavam baixos indicadores na área da educação. O Brasil não foi convidado. Eu fui convidada apenas para expor a alguns países da África e da Ásia as políticas de sucesso do Ministério da Educação, como a universalização do acesso ao Ensino Fundamental. Hoje, o Brasil é tratado como um grande exemplo nesse aspecto.

Por que o Brasil não foi convidado?
Porque o Brasil já superou as metas estabelecidas para os países em desenvolvimento ou países subdesenvolvidos. Principalmente no que diz respeito ao acesso ao Ensino Fundamental e à taxa líquida de cobertura. E as políticas de avaliação foram fundamentais nesse processo.

Como políticas de avaliação podem facilitar o acesso à educação?
As nossas políticas de avaliação, principalmente o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e o Provão auxiliam o monitoramento das reformas na educação.

Essas avaliações nasceram no Brasil?
Ao contrário do Saeb, calcado em experiências da França, Estados Unidos e Inglaterra, o Provão e o Enem nasceram no Brasil. A mudança mais significativa foi na metodologia usada na avaliação. O Enem é a primeira avaliação em que verificamos as habilidades e competências de cada aluno de maneira transcurricular. Por isso, já fomos elogiados pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), pelo Banco Mundial e pela Unesco. A forma de avaliação do Enem já foi imitada até pelo Pisa (avaliação do desempenho escolar de alunos da 8.ª série feita pela Unesco em 32 países, em que o Brasil ocupou o último lugar). Eles reaproveitaram itens inteiros da prova.

Por que só existe Provão no Brasil?
Nós somos pioneiros nesse tipo de avaliação. Mas já recebemos elogios nos relatórios do BID e da OECD. Alguns países, como Venezuela, Colômbia, Peru e a República Dominicana devem adotar o Provão em breve.

São todos países pobres...
Os Estados Unidos também se inspiraram na experiência brasileira. Os formandos em Administração devem se submeter a uma avaliação muito parecida com o Provão, chamada Exit Exam (Prova de Saída). O processo começou em 2001, nós mandamos provas para eles. Imagino que nesse ano ocorra a primeira edição do exame. Os cursos de Direito estudam a adoção de uma prova parecida.

Quanto custa ao Ministério avaliar a Educação no Brasil?
O orçamento previsto para o Inep, incluindo folha de pagamento, contratos e convênios, é de R$116 milhões. Cada curso avaliado no Provão custa R$ 5,5 mil ao governo. A avaliação das condições de ensino, que agora será cobrada das universidades particulares (as públicas estão isentas da cobrança), custará R$ 6,5 mil por curso avaliado.

Como surgiu o Provão?
Nós aproveitamos um dos itens de avaliação que a Capes (Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) faz nos cursos de pós-graduação no País. Eles levam em conta o índice de aprovação das teses defendidas ao final do curso de mestrado ou doutorado. Se as teses recebem notas baixas, o programa perde pontos na avaliação. O Provão não é para avaliar o aluno individualmente. É a melhor maneira de avaliar o desempenho do conjunto dos formandos daquele curso.

Porque o MEC dá tanta ênfase ao Provão, sendo que existem outros métodos para avaliar a situação do Ensino Superior brasileiro?
Por causa do impacto que o Provão causa. Porque é uma prova, realizada em um dia, que mobiliza milhares de alunos (383 mil, nesta edição) e avaliadores. Além disso, os efeitos pedagógicos são imediatos na sala de aula.

Que efeitos são esses?
Significa que o coordenador se preocupa com a nota de seu curso. Os professores e os conselhos universitários também se mobilizam. No dia da divulgação das notas, há um pico de acessos à página do Provão no Inep. (No mês de dezembro, quando os resultados são divulgados, cerca de 544 mil pessoas acessam o site). A maioria quer saber a nota que determinado curso tirou.

Os resultados do Provão melhoraram as universidades privadas?
Todo ano, nós distribuímos questionários aos alunos para que eles avaliem as instalações, a qualificação do corpo docente, enfim, as condições em geral dos cursos que freqüentam. O que verificamos é que, desde 1996, as instituições estão preocupadas em dar respostas aos alunos. Além disso, os cursos autorizados depois de 1995, dentro do espírito dessa avaliação, claramente tiveram desempenho superior aos cursos antigos.

Isso significa que os cursos antigos se saem pior no Provão?
Nas instituições mais antigas, há amarras, há vícios que se cristalizam. Há mais dificuldades em se mudar. Mas dar uma oxigenada é bom. No MEC, após oito anos que estamos aqui, vai ser bom mudar as caras, oxigenar. Isso vale também para os cursos.

Manuel Carlos Montenegro, da agência PontoEdu

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maio, 2002

         
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