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Entrevistas   Entrevista da Semana

foto: José Cruz/Agência Brasil

"A educação é o instrumento principal para nós construirmos um país mais justo, mais equilibrado, e a greve interrompe esse processo"

 
Paulo Renato Souza é ministro da Educação. Já ocupou os cargos de reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e secretário de Educação de São Paulo, no governo Franco Montoro.
 

O crescimento segundo Paulo Renato

Preterido pelo PSDB como candidato à presidência, o ministro da Educação reconhece a queda, mas não desanima. Ainda espera converter em votos os avanços alcançados nos indicadores educacionais. Cotado como candidato a uma vaga no Senado, já tem até plataforma: a economia do país precisa crescer mais. Mas não é essa justamente uma das principais críticas feitas ao governo?

Prestes a encerrar seu mandato, Paulo Renato Souza bem que gostaria de ser lembrado como uma espécie de Rei Midas da educação nacional, capaz de fazer brilhar tudo o que toca. Para mostrar que não está só dourando a pílula, o ministro cita o programa Bolsa-Escola, assinado em fevereiro de 2001 pelo presidente da República. Ele se orgulha de já ter posto "4,8 milhões de cartões na rua, nas mãos das famílias".

O ministro tem outro baita trunfo nas mãos: nunca tantas crianças de 7 a 10 anos estiveram matriculadas na escola. Atualmente, só cerca de 2% delas continuam fora da sala de aula. Ao universalizar o Ensino Fundamental, ele diz ter atacado o "gargalo" da educação no país. "Hoje, as frentes já se diversificaram, não existe uma coisa que vai destravar todo o sistema", acredita. Aos olhos dos seus críticos, porém, nem tudo correu bem nos sete anos em que ele está à frente do MEC.

O Telecomunidade, por exemplo. O programa disponibiliza recursos para informatizar escolas de Ensino Médio, mas não sai do papel. Paulo Renato se defende e diz que a culpa é de deputados da oposição que estão "embargando o processo" com uma "discussão um pouco filosófica" a respeito dos softwares. Nada que não pudesse ser resolvido se o programa não fosse do Ministério das Comunicações. "O programa que está na minha mão eu faço", garante.

O projeto de autonomia universitária pode ser um bom teste dessa determinação toda. Ele promete tirá-lo da gaveta ainda este ano. Apesar de suas relações com as universidades estarem estremecidas desde a greve nas federais, Paulo Renato quer "deixar uma sugestão ao próximo governo" sobre o financiamento do Ensino Superior. Com a experiência de quem já foi reitor, o ministro diz que o uso correto do dinheiro público ainda não chegou às federais e que elas são "ineficientes na relação aluno/professor".

Segundo Paulo Renato, contudo, a questão central das universidades será outro financiamento: o do estudo dos alunos carentes. "Eu recebo cartas, bilhetes de pessoas que querem estudar, mas não conseguem", conta. Para atender à demanda por mais vagas no Ensino Superior, justamente entre a clientela que hoje está no ensino básico e é atendida pelo Bolsa-Escola, o ministro prevê no futuro uma rediscussão até da gratuidade do Ensino Superior.

Mas quando e se isso acontecer, Paulo Renato já não estará à frente do MEC. Preterido pelo PSDB como pré-candidato à Presidência, diz não guardar mágoas e que não foi o enfrentamento de greves que o impediu de progredir na vida. Hoje sonha com uma vaga no Senado. É de lá que pretende, de agora em diante, conseguir recursos para universalizar os Ensinos Médio e Superior. Sua plataforma é o crescimento econômico do país. E jura que isso não é nenhuma crítica ao governo federal.

Leia a seguir os principais temas da entrevista concedida com exclusividade à Agência PontoEdu.

Ensino Fundamental >>

Fundef e Bolsa-escola >>

Telecomunidade
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Ineficiência das universidades
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Autonomia Universitária e Financiamento Estudantil
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Intenções Políticas e crescimento econômico
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fevereiro, 2002

         
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