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O crescimento segundo Paulo Renato
Preterido pelo PSDB como candidato à presidência, o ministro da Educação reconhece a queda, mas não desanima. Ainda espera converter em votos os avanços alcançados nos indicadores educacionais. Cotado como candidato a uma vaga no Senado, já tem até plataforma: a economia do país precisa crescer mais. Mas não é essa justamente uma das principais críticas feitas ao governo?
Prestes a encerrar seu mandato, Paulo Renato Souza bem que gostaria de ser
lembrado como uma espécie de Rei Midas da educação nacional,
capaz de fazer brilhar tudo o que toca. Para mostrar que não está
só dourando a pílula, o ministro cita o programa Bolsa-Escola,
assinado em fevereiro de 2001 pelo presidente da República. Ele se orgulha
de já ter posto "4,8 milhões de cartões na rua, nas
mãos das famílias".
O ministro tem outro baita trunfo nas mãos: nunca tantas crianças
de 7 a 10 anos estiveram matriculadas na escola. Atualmente, só cerca
de 2% delas continuam fora da sala de aula. Ao universalizar o Ensino Fundamental,
ele diz ter atacado o "gargalo" da educação no país.
"Hoje, as frentes já se diversificaram, não existe uma coisa
que vai destravar todo o sistema", acredita. Aos olhos dos seus críticos,
porém, nem tudo correu bem nos sete anos em que ele está à
frente do MEC.
O Telecomunidade, por exemplo. O programa disponibiliza recursos para informatizar
escolas de Ensino Médio, mas não sai do papel. Paulo Renato se
defende e diz que a culpa é de deputados da oposição que
estão "embargando o processo" com uma "discussão
um pouco filosófica" a respeito dos softwares. Nada que não
pudesse ser resolvido se o programa não fosse do Ministério das
Comunicações. "O programa que está na minha mão
eu faço", garante.
O projeto de autonomia universitária pode ser um bom teste dessa determinação
toda. Ele promete tirá-lo da gaveta ainda este ano. Apesar de suas relações
com as universidades estarem estremecidas desde a greve nas federais, Paulo
Renato quer "deixar uma sugestão ao próximo governo"
sobre o financiamento do Ensino Superior. Com a experiência de quem já
foi reitor, o ministro diz que o uso correto do dinheiro público ainda
não chegou às federais e que elas são "ineficientes
na relação aluno/professor".
Segundo Paulo Renato, contudo, a questão central das universidades será
outro financiamento: o do estudo dos alunos carentes. "Eu recebo cartas,
bilhetes de pessoas que querem estudar, mas não conseguem", conta.
Para atender à demanda por mais vagas no Ensino Superior, justamente
entre a clientela que hoje está no ensino básico e é atendida
pelo Bolsa-Escola, o ministro prevê no futuro uma rediscussão até
da gratuidade do Ensino Superior.
Mas quando e se isso acontecer, Paulo Renato já não estará
à frente do MEC. Preterido pelo PSDB como pré-candidato à
Presidência, diz não guardar mágoas e que não foi
o enfrentamento de greves que o impediu de progredir na vida. Hoje sonha com
uma vaga no Senado. É de lá que pretende, de agora em diante,
conseguir recursos para universalizar os Ensinos Médio e Superior. Sua
plataforma é o crescimento econômico do país. E jura que
isso não é nenhuma crítica ao governo federal.
Leia a seguir os principais temas da entrevista concedida com exclusividade
à Agência PontoEdu.
Ensino Fundamental >>
Fundef e Bolsa-escola >>
Telecomunidade >>
Ineficiência das universidades >>
Autonomia Universitária e Financiamento Estudantil >>
Intenções Políticas e crescimento econômico >>
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fevereiro, 2002
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