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Foi um rio
que passou em minha vida
junho, 2001
Beth Kok fala sobre como
fazer um projeto ambiental bem-sucedido e da importância das
escolas terem parcerias com órgãos técnicos.
Se o assunto é meio ambiente, recomenda que os projetos sejam
perenes como um rio caudaloso e não passageiros como chuva
de verão.
Há quatro anos, quando o Projeto Roda d'Água era
apenas uma gotinha, falar de projeto ambiental em escolas era quase
sempre sinônimo de plantar uma horta ou visitar uma estação
de tratamento de água. "Não se percebia que a
questão ambiental era muito maior e ao mesmo tempo estava
muito próxima da escola", recorda Beth Kok, mentora
do projeto.
A convite do Comitê de Bacias Hidrográficas (CBH)
de Sorocaba/SP, ela traçou um mapa das agressões sofridas
pelo rio que leva o nome da cidade. Ela e a equipe do comitê
logo se deram conta de que o resultado dessa pesquisa tinha que
ser apresentado em escolas e debatido com alunos. "Em muitas
escolas, a prática de observar o mundo através de
um mapa tinha acabado", conta.
A iniciativa foi um divisor de águas. Em vez de ficar restritas
a um Relatório de Situação, trancado
em um órgão técnico, hoje essas informações
servem de base para um projeto que, em 1999, cativou mais de mil
professores e 100 mil alunos só em Sorocaba. O mergulho foi
ainda mais profundo. O projeto fez a opção de analisar
não somente a realidade de um rio, mas também as inter-relações
de toda a bacia hidrográfica.
"O que a gente trabalhava até então era a qualidade
da água ou a coleta da água no rio. Até aí
as escolas conseguiam ir (...) Trabalhar a bacia permite o entendimento
dos conflitos de poder e de desenvolvimento que atuam nas questões
ambientais", observa.
Desses mil professores, apenas 120 foram treinados para dar vida
à metodologia do projeto. O restante, segundo Beth Kok, aderiu
em cascata graças ao entusiasmo dos alunos. Para ela, os
professores são resistentes somente a projetos ou temas transversais
se estes forem apresentados como "pacotes". Se a coisa
"fluir" como água, eles participam.
Na entrevista a seguir, ela explica como, naturalmente, nadando
a favor da correnteza, o projeto adquiriu, entre aspas, uma "tranversalidade
por dentro". Ela dá detalhes das atividades sugeridas
pelo projeto, que, a partir de agosto, estará disponível
a qualquer escola. Haverá material de apoio ao professor,
para todos os ciclos, até o Ensino Médio.
Beth Kok diz ainda que um dos próximos desafios do Roda
d'Água é usar a Internet para as escolas trocarem
informações sobre suas pesquisas. E comenta os riscos
que ameaçam projetos ambientais de ir por água abaixo.
Para ela, as escolas que esse ano trabalham o tema "água"
e, no ano seguinte, o trocam por "lixo", não entendem
o "contexto" e agem como "se as coisas não
se integrassem".
O Roda d'Água é um dos projetos de educação
ambiental mais bem-sucedidos do país. O que fez com que ele
adquirisse essa dimensão?
Deixe-me resgatar um pouquinho da origem do projeto, o que também
dá a dimensão do projeto hoje. Ele nasceu de um pedido
do Comitê de Bacias, de Sorocaba, para que eu fizesse um mapa
ilustrativo da Bacia do Rio Sorocaba/Médio Tietê. Nesse
mapa, eu assinalei todos os impactos ambientais que ocorriam e,
quando ele ficou pronto, veio a idéia de propor aos professores
um trabalho que pudesse ajudar na leitura dos impactos representados
no mapa. Nós percebemos que, em muitas escolas, essa prática
de observar o mundo através de um mapa tinha acabado, tinha
se perdido. Então propomos muitas atividades de identificação
do espaço: medir, desenhar, localizar.
E qual foi a idéia inicial para orientar os professores
a trabalhar com educação ambiental?
O primeiro material de apoio ao professor tinha um formato muito
simples, de sugestões de atividades. Era uma proposta não
muito usual de projeto ambiental porque ela vinha do Comitê
de Bacias. Por ter vindo do comitê, houve uma adesão
muito grande dos professores e, no ano seguinte, as DREs [Delegacias
Regionais de Ensino] toparam levá-lo adiante como projeto
curricular. Naquela ocasião, em 1999, ele ganhou um novo
formato, cresceu e, dos 120 professores treinados, chegamos a mais
de 1.000 trabalhando com o material no fim do ano! Isso no comitê
e em Sorocaba! Nós nem estamos falando dos 34 municípios
que tiveram oportunidade de trabalhar com o projeto.
Você comentou que o projeto ganhou um novo formato. Que
modificação ele sofreu?
Nesse período, eu trouxe o projeto para São Paulo,
para uma empresa que quis continuar investindo. Então, o
formato dele hoje é o de um material de apoio ao professor,
ciclo por ciclo, ou seja, para cada dois anos até o ensino
médio. Esse material está em fase final de edição
para ser lançado em agosto, em qualquer escola.
Algo marcante no projeto é a opção de trabalhar
com uma bacia hidrográfica, e não com um rio ou um
manancial apenas, como em geral acontece.
A questão da bacia hidrográfica é legal porque
ela permite que você entenda os conflitos ambientais. Você
começa a dar visibilidade aos conflitos entre municípios,
entre aquele que joga o esgoto e aquele que o recebe, entre a indústria
que polui e a não poluente, enfim...
Isso passa a ser um dado novo, que não é muito simples
de ser percebido se você pega um ponto, um rio ou a água
simplesmente. O que nós trabalhávamos, até
então, era a qualidade da água, ou a análise
da água, ou a coleta de água no rio. Até aí,
as escolas conseguiam ir. O que estamos propondo é que, pouco
a pouco, a criança e, principalmente, os professores possam
entender as inter-relações do ambiente. Trabalha-se
a bacia porque ela dá essa abrangência e permite o
entendimento dos conflitos de poder, de desenvolvimento, de opções,
nas questões ambientais.
Para entender esses conflitos, o primeiro passo é conhecer
os recursos hídricos da região e pô-los num
mapa como aquele que você fez, certo?
Isso porque, às vezes, os alunos nem sabem que rio abastece
a sua cidade, que é daquele rio que se obtém água
potável...
Em geral, não conhecem. O que nós propomos, porque
normalmente também não há um mapa das bacias,
é criar uma metodologia para que os próprios professores
comecem a identificar essas questões e transformem isso em
um mapa. Ou que um grupo técnico e o Comitê de Bacias
criem esse mapa porque, dentro do comitê, você tem essas
informações, pois foram feitos relatórios e
mais relatórios e levantamentos. Então você
pode trabalhar esses dados, tanto via comitê como via professor.
Os professores, então, podem contar com o auxílio
do comitê para traçar o mapa dos problemas ambientais
na bacia hidrográfica mais próxima de sua escola?
Existem comitês para cada bacia do país?
O comitê está na legislação federal.
No estado de São Paulo, nós estamos organizados em
20 comitês para 22 bacias. No Rio Grande do Sul, o trabalho
está bem avançado também. Eu não sei
como está no Paraná, mas cada estado tem, sim, um
gerenciamento por bacia. Mas a maioria dos comitês ainda não
tem o Relatório de Situação, que é um
estudo sobre como estão os rios e o que acontece em torno
deles. Isso cada estado está gerenciando, mas seria muito
importante que as escolas da região pudessem estar cientes
do que está acontecendo e fizessem essa interface com os
Comitês de Bacias.
Mas o conhecimento dos comitês ainda é muito recente.
Ninguém sabe que nele convergem três forças:
estadual, municipal quer dizer, todos os municípios que
compõem aquela bacia e nós, a sociedade civil, que
ainda não tem muita ciência de como realizar essa parceria.
E a escola sabe muito menos. Então, uma das coisas boas do
Roda d'Água é você poder divulgar a responsabilidade
que nós temos de atuar nos comitês e participar deles.
Quando um comitê como o de Sorocaba sai de sua posição
de gestor das questões das águas e vai para as escolas,
ele está dando uma resposta à sociedade, criando uma
forma de comunicação, uma vontade de trabalhar juntos,
e mostrando a importância de compartilhar essas informações
com as crianças, com os estudantes. O Roda d'Água
entrou aí.
Então, o objetivo do projeto nunca foi apenas informar
os alunos... A idéia seria que as escolas, com a ajuda dos
comitês, passassem a acompanhar e produzir mapas e relatórios
para divulgar o que acontece na bacia hidrográfica da sua
região?
O projeto propõe ações. Ao professor, ele propõe
atividades de história, matemática, ciências.
A análise da água, por exemplo, é uma delas,
mas existem outras sugestões que vão surgindo ano
a ano. Por exemplo: a gente propõe atividades de localização
no espaço para que os alunos possam fazer seus próprios
mapas; há várias propostas, que chamamos de "Investigando
o planeta", sobre biosfera, biodiversidade, o que é
seca, o que é deserto para se entender várias noções
ligadas à água; há ainda a parte do "Experiências
e engenhocas", em que se criam objetos ou experiências
ligadas à ciência, como entender um captador solar
e sua relação com a água; existem também
atividades de arte e de comunicação e expressão
e aí você pode ter teatro, vídeo, cinema;
e tem as atividades que chamamos de "Para Todos" sobre
como contextualizar esse conhecimento na relação com
outra comunidade.
Desde o primeiro ciclo, desde os pequenininhos, estamos sempre reforçando
a idéia de levar essa vivência ao outro, seja outra
pessoa, outra classe, outra escola. A idéia é compartilhar,
interferir, então o desenho que o projeto assume é
de entender a região, entender o que está acontecendo
nela, buscar essa identidade com a região, assimilar que
ela tem características geográficas, topográficas
e históricas que são únicas e aproximar essa
teoria da criança para ela poder estudar, pesquisar e também
agir, e não ficar só no conhecimento em classe.
Você comentou a importância de experimentar e uma
das atividades consiste em promover caminhadas, levar os alunos
para conhecer a bacia hidrográfica mais próxima. Como
isso é feito?
A gente sugere sempre, em todos os ciclos, que haja uma saída
a campo, que pode acontecer de diversas formas. A que você
viu no vídeo [matéria do Repórter Eco,
da TV Cultura, do dia 26/05] era uma saída para estudo e
coleta de água, mas existem outras para estudar a biodiversidade,
fazer trilhas dirigidas, estudar o rio de uma cidade vizinha.
São sugestões que estão sempre ligadas ao reconhecimento
da região, de acordo com a faixa etária e o ciclo,
e até de como fazer essa saída para ajudar o professor
a perceber a importância de observar, de mudar esse olhar
sobre as coisas.
Aliás, tem uma coisa superlegal nessa nossa negociação
para trazer isso para o município e a Grande São Paulo.
Passou a ser muito importante a questão do estudo do meio
com o professor e essa saída a campo é fundamental
para a sua formação para que ele possa também
fazer o mesmo reconhecimento que seus alunos, além de estar
sendo parte do treinamento.
Você disse que essa integração do projeto
ao currículo não se dá por disciplina isolada,
mas por sugestões de atividades. É essa preocupação
de abranger as diversas disciplinas que explicaria a enorme adesão
dos professores, capaz de mobilizar a rede escolar de uma cidade
inteira?
Pode haver várias explicações. Uma que é
um projeto extremamente aberto, em que não se diz: "Faça
ou deixe de fazer." Ele sugere saídas e que se trabalhe
com projetos. Quer dizer: valorize o conteúdo que o aluno
traz e não obrigue o professor a saber tudo, pois ele está
na mesma posição de aprendiz que seus alunos.
Isso também quebra a dificuldade que os professores têm
de trabalhar as questões ambientais porque passaram a ser
um tema transversal e as pessoas não estão habilitadas
para isso. Os professores já têm uma supercarga de
trabalho. Como é que eles vão trabalhar o meio ambiente
em sala de aula?
Então, o que vemos acontecer é que o professor que
está mais próximo da questão ambiental assume
junto com seus alunos o desenvolvimento do projeto e, por causa
do entusiasmo com que esses alunos participam, os professores mais
resistentes acabam topando participar.
E, com isso, você consegue construir uma "transversalidade
por dentro". Você não está dizendo: "Olha,
esse é um tema que tem que ser transversal." Não
que não seja, mas acaba sendo na prática e talvez,
por isso, tenha tido toda essa resposta. Os alunos, que passam a
ser os grandes agentes, são os que acabam levando o projeto
a outros professores. Por isso, passamos de 120 para 1.000 professores
em Sorocaba. Nem todos foram treinados, mas acabaram sendo envolvidos.
Eu diria que é uma receptividade intuitiva dos alunos e dos
professores. É quase uma necessidade de entender essas questões.
Há uma urgência nesse tema, todo mundo sente que
não dá mais para agredir o meio ambiente...
Você tem toda a razão. Mas as pessoas não sabem
o que fazer: não sabem que há um comitê, não
conhecem a legislação, o que pode, o que não
pode acontecer. E eu digo uma coisa: quando a gente começou
o trabalho, há quatro anos, as propostas ambientais que a
gente encontrava na escola eram a horta e sair para a estação
de tratamento de água. Existia o problema, mas não
havia idéias de como trabalhá-lo. Não se percebia
que a questão ambiental era muito maior e ao mesmo tempo
muito próxima da escola.
E esses professores, que se envolveram sem receber treinamento,
que reações ou dificuldades eles têm manifestado
para tratar as questões ambientais? Eu sei que são
previstos encontros anuais de professores e tudo...
O que nós mais temos feito são os cursos de treinamento.
Propomos encontros anuais, mas ainda não conseguimos fazer
um workshop em Sorocaba. Os encontros acabam sendo quase
casuais e não conseguimos ainda algo que pudesse nos dar
um feedback legal.
Mas o que é possível observar nesse contato com os
professores, ou através do que eles nos escrevem, é
que existe, de um lado, uma dificuldade de lidar com essas questões...
Ah! Outra coisa comum é haver uma resistência e um
preconceito muito grandes se eles recebem um projeto como se fosse
um pacote. Por outro lado, se a coisa flui mais internamente, eles
começam a participar mais.
Nessa perspectiva de compartilhar o que se aprende, divulgar
informações de um órgão técnico
em escolas, os alunos já estão se tornando mais um
elo dessa cadeia, a ponto de informar ou cobrar providências
de indústrias ou particulares que estão agredindo
o meio ambiente?
É preciso entender que existe uma dificuldade da escola em
perceber que há um conhecimento técnico em um lugar
que não seja a biblioteca. Então, primeiro, é
necessário despertá-la para isso. O Roda d'Água
apontou o caminho e começou a falar do comitê, o que
não acontecia. Isso é uma coisa. Outra coisa é
a reação que esse conhecimento, quando é tratado
em sala de aula, provoca no seu meio.
O que eu posso falar sobre Sorocaba é que a reação
e o envolvimento desses alunos fizeram com que algumas indústrias
se estruturassem para receber alunos e responder sobre questões
ambientais. Grupos de alunos que estavam desenvolvendo alguma pesquisa
foram procurados por empresas que se propuseram a financiar essa
pesquisa.
Houve um susto muito grande da Cetesb e das prefeituras porque todas
elas começaram a receber muitos alunos que queriam perguntar
uma série de coisas. "Opa, de onde está vindo
isso?" Por outro lado, isso fez com que essas instituições,
órgãos e indústrias acordassem e se preocupassem:
"Vamos nos estruturar para receber alunos." É um
pouco assustador para eles porque quando você consegue levar
um trabalho adiante, a resposta é surpreendentemente rápida.
E dessas reações podem vir outras, inclusive mais
políticas, e até conduzir as coisas para outro lado.
É como se você desse um empurrão e a coisa fosse
acontecendo pela percepção dos alunos do valor do
lugar onde eles moram, do que está acontecendo à sua
volta, de saber quem é o responsável... E eles cobram
das indústrias que estão poluindo, das próprias
prefeituras e vão até mesmo ao gabinete do prefeito.
Fico imaginando a riqueza que pode ser comparar níveis
de poluição em vários pontos de uma bacia e
descobrir as diferentes causas para essas ocorrências... Tem
sido possível comparar as pesquisas feitas pelas escolas?
Ainda não. Eu acho que nós precisaríamos de
mais uns três anos para isso. No trabalho, propomos que você
vá a outras cidades, que você chame uma escola para
debater, mas isso é um trabalho a longo prazo. Sorocaba ainda
não tem esse material novo. Tudo que eles estão fazendo
baseia-se naquele trabalho anterior e, mesmo assim, eles já
estão nesse nível de mobilização.
Estamos querendo que se chegue a isso e eu torço para que
isso aconteça, mas ainda não é tão fácil
para uma escola comparar os seus resultados com os de outra. Isso
é um trabalho que tem que ser feito constantemente e é
preciso abastecer sempre as escolas de informação,
de estímulo. Por isso, existe o site (www.rodagua.com.br).
Embora a gente saiba que nem todas as escolas têm estrutura
para isso, ele pode daqui para frente ser um instrumento de comunicação
e intercâmbio.
A Internet torna possível não só essa troca
de informações, mas a criação de projetos
mediados a distância, projetos colaborativos. Como você
vê todas essas possibilidades?
Isso seria um grande gol. Você pode envolver escolas de lugares
diferentes e ter uma escola em Manaus que trabalhe com uma bacia,
com uma realidade, em contato com uma escola que tem outra história
e, com isso, desenhar um panorama do nosso país. Você
também pode comparar outras realidades, confrontar outros
países. Isso a Internet permite. Mas também precisamos
que as escolas, alunos e professores estejam abertos a isso. Não
foi a realidade que a gente encontrou. Há dois anos, a Internet
era vista como um bicho-de-sete-cabeças. A escola de Cerquilho/SP,
que você viu no vídeo, já tinha, um ano depois,
quatro ou cinco computadores conectados à Internet. Então
é muito rápido, mas a resistência no começo
é muito grande. É claro que isso abre para uma troca
de informações que pode ser maravilhosa, mas depende
muito das escolas.
Você mencionou a importância de estimular constantemente
as escolas a se envolverem em um projeto. Como enfrentar esse problema
em projetos ambientais? Porque, apesar da adesão maciça
das escolas, os alunos devem notar que, para ter algum resultado,
recuperar um rio, por exemplo, leva muito tempo...
Eu acho que nós temos que entender a coisa no tempo, no espaço
e na persistência (risos). Você percebe que leva tempo,
mas tendo essa noção e não persistindo, você
perdeu o barco. E eles têm essa noção da gravidade,
mas ao mesmo tempo precisam ter o estímulo de que cabe a
nós a reversão desse quadro, nem que demore.
Então, não é um tema "A água"
e, no ano seguinte, "A terra", que vai resolver. Nós
estamos trabalhando um contexto e contextualizando a água
numa história, numa busca de soluções. É
muito comum você ouvir "este ano nossa escola resolveu
trabalhar a água, ano que vem vamos trabalhar o lixo"
como se as coisas não se integrassem, como se "já
que eu falei da água esse ano, eu não vou mais falar
disso". E não é por aí.
A tendência de não trabalhar o mesmo tema no ano
seguinte é um problema que você tem enfrentado no Roda
d'Água?
Eu já ouvi este tipo de observação: "Vamos
trabalhar com o Roda d'Água porque estamos trabalhando água.
No próximo ano a gente não sabe se vai continuar falando
sobre água". Mesmo a escola de Cerquilho/SP falou que
já era projeto da escola trabalhar água, então
esse material veio a calhar. É como se fosse uma coisa que
cansasse, enquanto o que estamos tentando passar é que, se
não houver constância e entendimento, o trabalho é
tão descartável quanto qualquer outra coisa.
Dá até para entender: você quer motivar o aluno,
quer criar uma realidade estimulante. Mas se as escolas tivessem
uma constância em trabalhar esse material, em promover debates,
com certeza, teríamos uma resposta em três anos, uma
grande mudança de mentalidade.
Não acho que um projeto desses deva ser visto como fogo de
palha, de apontar problemas e não se levar adiante porque,
para mudar mesmo, você tem que insistir e saber se aquela
indústria mudou de postura, se a legislação
mudou, como estão as coisas em Brasília. No caso do
ensino médio, você passa a ter adolescentes que estão
atuando e intervindo em sua história.
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Vitor Casimiro
Exclusivo para o Educacional
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