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Palavras que fazem a diferença


Autora: Maria da Conceição Diniz
Professora de educação infantil e ensino fundamental
Colégio Positivo Júnior - Curitiba

Muitas são as experiências legais que um professor tem com sua turma, quando está realmente envolvido e comprometido com sua profissão. Lembro que há, alguns anos, tive uma aluna com dificuldades de relacionamento. Apresentava-se sempre muito agressiva e não demonstrava afetividade por ninguém. Inúmeras foram as conversas que tive com seus pais a fim de conhecer melhor minha aluna, mas estes pouco esclareciam sobre a forma de agir da filha. Dois meses após o início das aulas e sem progresso aparente, fui comunicada de que esta aluna passaria por uma cirurgia simples, e, por isso, estava mais agressiva e agitada que o normal. Os pais pediram que eu tivesse paciência, pois o comportamento dela realmente tinha se agravado.

Alguns dias antes da cirurgia, passei boa parte do recreio conversando com a menina e tentando perceber algo que talvez não tivesse ficado claro para mim. Naquele dia, achei estranho, que, ao se despedir de mim, ela me abraçou e me deu um beijo, coisa que jamais tinha feito com nenhum outro professor ou professora.

No dia seguinte, a mãe me procurou e, com lágrimas nos olhos, me abraçou e agradeceu o carinho que tive com a filha dela. Fui pega de surpresa e não entendi muito bem o que aquela mãe quis dizer, mas ela logo foi relatando que, no dia em que nós conversamos, ela surpreendeu a filha chorando em seu quarto e ao lhe perguntar o que tinha acontecido a filha respondeu: "Sabe, mãe, agora não tenho mais medo de ser operada, porque a professora me disse que eu estou cercada de amigos e sou muito amada por todos. Disse também que, durante a operação, Deus estaria me protegendo."

Ao terminar o relato, a mãe disse que nunca ouviu a filha falar de Deus, nem de amigos e que eu não imaginava o bem que tinha feito com aquelas palavras mágicas.

Isso me fez refletir sobre o papel do professor e da importância de valorizarmos a individualidade de cada um. Essa aluna é um exemplo vivo disso, pois como todos já se haviam acostumado com o jeito "seco" dela, ninguém se preocupou em reverter sua postura e fazê-la interagir com seus colegas.

Foi fantástica a mudança que houve com ela: do isolamento em que vivia passou à alegria de brincar e participar de tudo que lhe era proposto e, tudo isso graças apenas de palavras simples mas que fizeram a DIFERENÇA.




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