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Melhorando a auto-estima dos
alunos
Autora: Célia
Godoy
1ª série do Ensino Fundamental
Disciplina relacionada: Língua Portuguesa

Eu
lecionava para crianças de um Grupo de
Apoio Suplementar (GAS), algumas consideradas
"com leve retardo" pelas professoras,
pois não acompanhavam os colegas em sala
de aula. Muitas tinham um histórico familiar
de arrepiar os cabelos, digno de figurar numa
novela mexicana. Nem preciso dizer que a auto-estima
delas andava baixa, assim como o rendimento escolar.
Eu queria muito mudar aquele quadro.
Baseei-me numa experiência de um grupo
de evangelizadores que conheci e fiz o seguinte:
Datilografei (na época os computadores
ainda eram artigos escassos e de luxo) numa folha
um texto que falava sobre a importância
de cada um no mundo, como partes de uma grande
engrenagem. Omiti todas as letras M das palavras,
deixando em seu lugar um tracinho. A leitura ficou
realmente difícil. O texto terminava comparando
o papel de cada pessoa àquela letrinha.
Se uma simples letra fez tanta falta na leitura
de um texto, o que dizer das pessoas em nossas
vidas?
Fiz cópias do texto (mimeografadas) e
levei para a sala de aula.
Naquele dia, comecei a aula falando do que cada
aluno representava para mim. Aos que mais me incomodavam
pela bagunça, disse que os considerava
um desafio, pois precisava bolar aulas interessantes
para prender sua atenção. Aos mais
quietos, disse que adoraria saber o que se passava
em suas mentes, pois me intrigava a forma como
deveriam olhar o mundo. Entreguei o texto a eles
e pedi que lessem em silêncio. Alguns não
entenderam, e outros perguntaram se eles eram
as tais letrinhas. Respondi que sim. Eles eram
as minhas letrinhas. Foram os sorrisos mais lindos
que já vi!
Convoquei também uma reunião com
as mães daqueles alunos. Uma delas havia
me dito: "Meu filho puxou a mim, ele não
aprende nada, é leso como eu!". Aquelas
mães também não acreditavam
em si, e transferiam para os filhos toda uma carga
negativa.
Entreguei o texto para elas. Muitas choraram.
Conversamos muito, e boa parte delas saiu mudada
daquela reunião. Pararam de dizer que os
filhos, e elas mesmas, eram burros.
Trabalhei a partir de temas que os alunos gostavam,
e partia disso para abordar os conteúdos
que estavam estudando em sala de aula. (Mal sabia
eu que estava desenvolvendo projetos!)
Outra coisa: eu contrabandeava lanche para meus
alunos. A comunidade era muito carente, e eu sabia
que a única refeição do dia
para aquelas crianças era a merenda. Ora,
eles ficavam praticamente o dia todo na escola,
apenas com o lanche da manhã!!! Não
tive dúvidas: aliciei a tia da cantina
e fomos cúmplices no desvio de merenda
para os meus alunos.
Alimentados, incentivados, valorizados e, acima
de tudo, respeitados, ao final do ano eles haviam
alcançado os demais colegas de classe e
se saíram muito bem.
Devo muito a esses alunos. Eles nem sabem quanto!
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