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Reflexões acerca da (in)segurança

Ao caminharmos pelas ruas das grandes cidades (e das um pouco menores também) observando suas construções, podemos identificar que quase nenhuma delas está livre dos muros altos, das grades, das cercas elétricas, dos avisos de “cão feroz” ou de outros recursos que, em nome da segurança, estão presentes nos espaços para que possamos viver com mais tranquilidade.

Certamente este assunto preocupa a todos, mas como cidadãos, precisamos cobrar das autoridades nossos direitos como contribuintes sérios que somos. Pagamos nossos impostos e temos direitos sobre eles (nesse caso, nosso dever foi pagá-los). Estes precisam ser lembrados constantemente para que não caiam na rotina das falas que clamam que “não adianta reclamar, pois tudo está perdido”.

Mas, neste texto, nosso apelo não é este: queremos chamar a atenção para a educação necessária às crianças em tempos de “inseguranças”.

Temos a clareza de que devemos orientar as crianças e os jovens no sentido de que eles não podem fazer tudo o que desejam, mas que devem administrar sua vontade, pois ela precisa ser educada. Educamos nossa vontade a fim de nos protegermos, de criarmos condições para que possamos cuidar de nossa própria segurança.

Pensamos que o essencial é que pais e professores pensem em como encaminhar as questões relacionadas à autonomia dos filhos, dos alunos. Eles devem ser preparados para serem os principais aliados de si mesmos, os responsáveis pela sua conduta, pelas suas opções. É difícil imaginar tal encaminhamento para crianças de pouca idade, nem é essa a situação que estamos sugerindo. Apenas afirmamos que, à medida que a criança e o jovem se desenvolvem, a noção de independência com responsabilidade deve acompanhá-los, o que resultará na segurança de cada um.

Não há como falar em segurança sem pensar em recomendações: elas devem ser feitas sempre. As crianças e os jovens precisam ser alertados constantemente sobre a maneira como o mundo gira. Eles não podem permanecer iludidos, mas devem ser orientados — e estimulados — para que a realidade almejada possa se concretizar dependendo também de sua atuação cidadã, mesmo que seja somente em seu entorno e dentro do que lhes é possível.

Criar para a autonomia, cidadania e independência não é tarefa fácil, mas necessária. Afinal, o mundo caminha e todos somos caminhantes.

Não podemos nos esquecer de que o lugar mais seguro para uma embarcação é o porto em que ela fica parada. Porém, igualmente, devemos nos lembrar de que ela não foi construída para esse fim.

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Prof. Joseph Razouk Junior é
Gerente editorial do Centro de
Pesquisas Educacionais Positivo
e escreve especialmente para esse portal.

 
 
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